A União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e a Câmara Municipal de Santiago de Compostela organizam a jornada “A Língua como Oportunidade”, que acontece no dia 10 de julho de 2017 a partir das 9.30h, no edifício CERSIA de Santiago, contando com o apoio da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP).
Assinalando a entrada do município de Santiago de Compostela para a UCCLA, como Membro Observador - no dia 19 de abril, por ocasião da sua XXXIIIª Assembleia Geral, realizada em Luanda - as duas organizações decidiram realizar umas jornadas que abordem a importância da língua, nomeadamente na vertente económica.
O facto de a Galiza dispor de uma língua comum com os países da Comunidade Lusófona facilita os relacionamentos culturais, institucionais e económicos com as cidades UCCLA e os mercados em que se inserem, inclusive os mais distantes, como os da China. Os percursos do turismo, nomeadamente o turismo religioso e o arquitetónico a ele ligado são, igualmente, formas de intercâmbio que as jornadas refletirão.
Está prevista a presença do presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, da diretora-coordenadora do Turismo de Portugal, Lídia Monteiro, da representante da Região Administrativa Especial de Macau em Portugal, O Tin Lin, do embaixador do Brasil junto da CPLP, Gonçalo Mourão, do Secretário-Geral da Academia Galega da Língua Portuguesa, Joám Evans Pim, do Secretário-Geral de Política Linguística do Governo autónomo galego, Valentín García, bem como de representantes empresariais portugueses e galegos, para além do presidente da Câmara Municipal de Santiago de Compostela, Martiño Noriega Sanchez, e do Secretário-Geral da UCCLA, Vitor Ramalho.
A Casa da Língua Comum de Santiago de Compostela acolherá, o próximo dia 17 de junho de 2017, às 11 da manhã, o ato de tomada de posse da académica de número da AGLP, a Doutora Teresa Moure Pereiro.
Os próximos dias 13 e 14 de maio, vão ter lugar na vila de Pitões das Júnias as VI Jornadas galaico-portuguesas. Organizadas pela associação DTS – Desperta do Teu Sono, a Academia Galega da Língua Portuguesa e a Câmara Municipal de Montalegre. Será com um programa de alta qualidade com intervenientes como Francesco Benozzo ou linguista Marcel Otte, que falará sobre as origens da linguagem humana, com uma palestra subordinada ao título; “Speaking australopithecus: A new theory on the origins of the human languages”.
I Encontro de mulheres da Lusofonia: Mulheres, territórios e memórias
A Academia Galega da Língua Portuguesa e a Associação Pró-AGLP organizam o I Encontro de Mulheres da Lusofonia: Mulheres, territórios e memórias. O encontro visa conhecer o labor das mulheres nos movimentos cívicos e no mundo académico no espaço da lusofonia e abrir por este meio uma via de reconhecimento e colaboração entre o movimento reintegracionista e os movimentos cívicos de aquele espaço.
Ainda durante o encontro terá lugar a assinatura dos protocolos de colaboração entre a Pró-AGLP e as duas associações representadas no encontro, a UMAR-União de Mulheres Alternativa e Resposta e a Femafro-Associação de Mulheres Negras, Africanas e Afro-descendentes em Portugal, com o intuito de reforçar e diversificar as relações da Pró-AGLP com outras associações do espaço da língua portuguesa.
O encontro decorrerá nos dias 18 e 19 de março, no Museu da Límia, em Vilar de Santos (Comarca da Límia). Para além das associações representadas nas palestrantes, conta com a colaboração do concelho de Vilar de Santos, do Museu da Límia, da Arca da Noe e da Fundação António Agostinho Neto-FAAN (Angola).
A Academia Galega da Língua Portuguesa organiza o seminário «O espaço lusófono como oportunidade», que terá como orador o Professor Gilvan Müller de Oliveira, membro correspondente da AGLP. Estará subordinado aos seguintes temas:
1 - Panorama da política exterior brasileira nos âmbitos da língua e a cultura. O papel do Instituto Rio Branco.
2 - Linhas principais da política comum da Língua Portuguesa (CPLP). O Instituto Internacional da Língua Portuguesa. O exemplo do VOC-Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e o Vocabulário Técnico e Científico.
3 - Oportunidades e vantagens da participação galega no espaço lusófono.
Terá lugar o dia 13 de janeiro de 2017, às 17 horas, na Casa da Língua Comum, Rua de Emílio e de Manuel, 3, r/c - Santiago de Compostela
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O sábado 14 de janeiro terá lugar, na Casa da Língua Comum, em Santiago de Compostela, a sessão de tomada de posse de dous novos membros correspondentes da Academia Galega da Língua Portuguesa: O Professor Gilvan Müller de Oliveira, do Brasil, e a Doutora Irene Alexandra da Silva Neto, de Angola.
Gilvan Müller de Oliveira é Professor Adjunto no Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da Universidade Federal de Santa Catarina e Secretário Executivo Adjunto da MAAYA - Rede Mundial de Multilinguismo, com sede em Paris, Gilvan Oliveira exerceu, entre 2010 e 2014, a Direção Executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), situado em Cabo Verde. À frente dessa instituição promoveu o desenvolvimento do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) e do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira/Língua Não Materna, entre outras iniciativas.
A Doutora Irene Alexandra Neto é Presidente é Presidente do Conselho de Administração da Fundação Dr. António Agostinho Neto e Deputada da Assembleia Nacional de Angola, presidindo à 7ª Comissão de Saúde, Família, Juventude e Desportos, Antigos Combatentes e Acção Social. De 2005 a 2007 foi Vice-Ministra das Relações Exteriores da República de Angola para a Cooperação, sendo a primeira mulher angolana a exercer esse cargo. Com anterioridade, fez parte do Grupo Dinamizador do Ensino Superior, da Brigada Jovem de Literatura de Luanda e da Direção da Alliance Française de Luanda. Atualmente é membro do Comité Central do MPLA e do Júri do Prémio Internacional de Investigação Histórica “Agostinho Neto”.
A mesma categoria de académicos correspondentes foi concedida anteriormente pela Academia Galega aos brasileiros Evanildo Bechara e Evando Vieira Ouriques, e aos portugueses Chrys Chrystello, Adriano Moreira, João Malaca Casteleiro e Eugénio Anacoreta Correia.
Endereço da Casa da Língua Comum: Rua de Emílio e de Manuel, 3, r/c, Santiago de Compostela.
Ato aberto ao público.
Contacto: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Irene Alexandra da Silva Neto (1961) é Presidente do Conselho de Administração da Fundação Dr. António Agostinho Neto e Deputada da Assembleia Nacional de Angola, na que preside a 7ª Comissão de Saúde, Família, Juventude e Desportos, Antigos Combatentes e Acção Social. De 2005 a 2007 foi Vice-Ministra das Relações Exteriores da República de Angola para a Cooperação, sendo a primeira mulher angolana a exercer esse cargo. Com anterioridade, fez parte do Grupo Dinamizador do Ensino Superior, da Brigada Jovem de Literatura de Luanda e da Direção da Alliance Française de Luanda. Atualmente é membro do Comité Central do MPLA e do Júri do Prémio Internacional de Investigação Histórica “Agostinho Neto”.
Licenciada em Medicina e Mestre em Oftalmologia, combinou o seu compromisso social e político com a praxe médica, tendo trabalhado na área da saúde hospitalar de nível secundário e primário em Luanda e gerindo um consultório privado de oftalmologia desde 1999. É membro da Ordem os Médicos de Angola, da Ordem dos Médicos de Portugal, da Société Française d'Ophtalmologie e da American Society of Cataract and Refractive Surgery.
Em 1998 publicou a obra Angola, à flor da pele (Luanda: Instituto Nacional do Livro e do Disco), tendo contribuido diversos textos para obras coletivas, entre as quais Estudos de literaturas africanas: cinco povos, cinco nações (Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2005), Agostinho Neto e a libertação de Angola, 1949-1974 (Luanda: Fundação Agostinho Neto, 2011),Agostinho Neto, De Cabeça Levantada 1922-1961 (Luanda: Fundação Dr. António Agostinho Neto, 2015), Agostinho Neto, Todos para o Interior 1962-1971 (Luanda: Fundação Agostinho Neto, 2016), Cartas de Maria Eugénia a Agostinho Neto (Luanda: Fundação Agostinho Neto, 2016). Atualmente coordena as publicações da Fundação Dr. António Agostinho Neto, onde se recolhem testemunhos para o Arquivo Oral sobre a luta de libertação nacional.
Gilvan Müller de Oliveira é Professor Adjunto no Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da Universidade Federal de Santa Catarina e Secretário Executivo Adjunto da MAAYA - Rede Mundial de Multilinguismo, com sede em Paris. Entre 2010 e 2014 respondeu pela Direção Executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), situado em Cabo Verde. À frente dessa instituição promoveu o desenvolvimento do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) e do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira/Língua Não Materna, entre outras iniciativas. Fruto desse trabalho intenso, em 2014 recebeu o Prêmio Personalidade Lusófona do Ano do Movimento Internacional Lusófono (MIL) e em 2015 o Prêmio Meendinho, da Fundação Meendinho, por serviços prestados à Língua Portuguesa e à Galiza.
Graduou-se em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas em 1985; concluiu o mestrado em Linguística Teórica, Filosofia e História na Universidade de Konstanz, Alemanha, em 1990, sob a orientação de Peter Auer; finalizou o doutorado em Linguística na Universidade Estadual de Campinas em 2004, sob a orientação de Ataliba Castilho, e fez o pós-doutorado na Universidade Autónoma Metropolitana Iztapalapa, no México, com Rainer Enrique Hamel. De 2002 a 2010 coordenou o IPOL - Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística, de Florianópolis, continuando a sua atução na área de Política Linguística e História das Línguas, com foco na questão da promoção e ensino da Língua Portuguesa como língua não materna e na promoção do multilinguismo, e especialmente da educação bilíngue. Tem publicado numerosas monografias, artigos e comunicações sobre estas e outras matérias.
SEMINÁRIO «Galiza, Língua Portuguesa e Acordo Ortográfico»
Vídeo-resumo do Seminário "Língua, Sociedade Civil e Ação Exterior"
As intervenções, que trataram temas diplomáticos, culturais e linguísticos, corresponderam em primeiro lugar ao embaixador Eugénio Anacoreta Correia, presidente do Observatório da Língua Portuguesa, que explicou a história da criação da CPLP e linhas de atuação. Valentín García Gómez, Secretário Geral de Política Linguística da Xunta de Galicia, apresentou diversas iniciativas do seu governo em relação à aplicação da Lei Paz-Andrade, especialmente no terreno do ensino. Joám Evans Pim, Coordenador da Comissão de Relações Internacionais da AGLP, explicou a linha de trabalho que no âmbito internacional está desenvolvendo a Academia desde a sua criação. Participou como moderador José-Martinho Montero Santalha, Presidente da AGLP.
Acaba de sair a edição da gravação do II Seminário de Lexicologia organizado pela Academia Galega da Língua Portuguesa em 25 de setembro de 2010. Os quatro DVDs contêm um resumo do evento, oito entrevistas aos representantes das instituições convidadas e o registo de todas as palestras na íntegra.
Apresenta-se na série de notícias relacionadas com o II Seminário de Lexicologia, o vídeo-resumo elaborado pela Academia Galega da Língua Portuguesa para a sua divulgação na rede.
Última versão do FLiP inclui léxicos de todas as variedades
da língua portuguesa, de todos os países da CPLP mais da Galiza e Macau
AGLP / PGL - Acaba a série de entrevistas realizadas durante o II Seminário de Lexicologia, organizado pela AGLP em 25 de setembro de 2010, com a intervenção de Carlos Amaral, administrador da Priberam Informática, que nos explicou as vantagens da ferramenta em língua portuguesa de maior difusão no mercado, o FLiP.
Começou explicando que «Uma das principais atividades da Priberam desde há mais de 15 anos tem sido a Língua Portuguesa». «O produto principal tem sido o FLiP» que no Brasil é comercializado sob a marca 'Aurélio'. «Em termos internacionais o impacto maior que temos em produtos em língua portuguesa foi quando a Microsoft nos licenciou para que o FLiP fosse incluído no Microsoft Office.»
Carlos Amaral anunciou que as principais novidades na última versão do FLiP são a inclusão de léxicos de todas as variedades da língua portuguesa, de todos os países da CPLP mais da Galiza e Macau. Outra novidade é a inclusão do dicionário Priberam.
Quanto ao dicionário Priberam, este apresenta novas funcionalidades, como a mostra da última palavra pesquisada, o gráfico de pesquisas em cada palavra ou as ocorrências dessa palavra no FLiP.
Com a inclusão do Léxico da Galiza, assim como de outras variedades de português «o que nós pretendemos é que quem escreve em português, seja onde for, tenha ferramentas que o ajudem a essa tarefa, a escrever da melhor maneira possível», afirma Carlos Amaral. «Há determinadas especificidades no português da Angola e de outros países africanos, nomeadamente coisas tão simples como topónimos e antropónimos e também nomes comuns que só existem naqueles países.»
«Quando há uma mudança na forma de escrever não sei quantas palavras, e ainda por cima há dúvidas, como é que se devem escrever e se mudaram ou não mudaram, o FLiP pode ser uma ferramenta mesmo indispensável. Daí que por exemplo em Portugal todos os jornais e revistas que já aderiram o Acordo Ortográfico utilizam o FLiP.»
Proximamente será publicado o vídeo-resumo do II Seminário de Lexicologia, a conter fragmentos das intervenções realizadas pelos participantes no evento.
«É necessário seduzir a sociedade galega para que escolha o português»
AGLP / PGL - Continuamos com a sequência de entrevistas realizadas pelo Portal Galego da Língua e a Academia Galega da Língua Portuguesa durante o II Seminário de Lexicologia, realizado em Compostela no passado 25 de setembro. Desta volta o entrevistado é o professor Joseph Ghanime, da Associação de Docentes de Português na Galiza.
O professor Ghanime começa explicando os motivos do nascimento da associação e os seus fins. Informa de que a situação do ensino do português na Galiza é residual e não estrutural, porque «não existe no ensino secundário na Galiza um único professor de português que tenha sido contratado como tal, bem como não existe uma lista de substituições e interinidades profissionais» nesta matéria, sendo que o ensino da nossa língua vê-se relegado às Escolas Oficiais de Idiomas, e não a todas pois «falta avançar neste sentido, porque há escolas como Viveiro, Ribadeu, ou seções de escolas como Ordes, Noia ou Monforte que não têm português».
Contrariamente, na Extremadura espanhola a situação do português é estrutural: «Em dez anos, de 1996 a 2006, a Extremadura passou de 600 a 10.000 alunos». «Aí houve um trabalho em muitos âmbitos, não se trabalhou apenas o ensino, trabalharam muito a comunicação social, cada vez há mais notícias referentes a Portugal na imprensa extremenha e trabalharam também espaços de diálogo, de intercâmbio, etc.»
O professor adverte que em matéria de língua portuguesa «o nosso desafio é lutar contra o desconhecimento». A sociedade galega poderia tirar muitas vantagens do aprendizado do português, sempre que soubesse quais são, pelo que afirma que «temos que falar muito, com a sociedade civil, com as pessoas que estão a trabalhar, com as que estão desempregadas, com os sindicatos, com todos os atores sociais, e explicar as vantagens do português».
Da Docentes insistem em que é necessário «seduzir a sociedade galega para que escolha o português». «Facilitar, fornecer as informações necessárias» e «satisfazer a gente», isto último «depende muito da qualidade de ensino», pelo que afirmam que devem ser «pioneiros em estratégias didáticas». O tipo de alunado variou bastante nos últimos anos, explica Ghanime, posto que de um perfil mais galeguista, ligado de jeito emocional a Portugal, passou-se a um perfil em que predomina a visão prática, mais conhecedora dos aspetos económicos ou de prestígio da língua portuguesa.
Dentro dessa visão prática, não excludente da emocional, Joseph lembra que a nossa é «Uma língua de 200 milhões de falantes. Somos fronteirizos com Portugal, país com o qual existem muitíssimas relações comerciais. E o Brasil é um país de 180 milhões de habitantes, em termos macroeconómicos é uma das economias com maior produto interno bruto do mundo».
«Na Galiza, os projetos culturais portugueses
são integrados de forma natural numa agenda geral galega»
PGL / AGLP - Dentro da sequência de entrevistas realizadas pela Academia Galega da Língua Portuguesa e pelo Portal Galego da Língua durante o II Seminário de Lexicologia realizado em Compostela o 25 de setembro passado, foi entrevistado o representante do Instituto Camões na Galiza, prof. Samuel Rego.
Depois de apresentar o Instituto Camões e de explicar o seu papel dentro das atividades culturais na Galiza, o professor Rego expôs as duas vertentes das principais atividades do Instituto: «promover a língua, por um lado, e a cultura, por outro. Aqui, na Galiza, conseguimos ter essas duas frentes muito ativas, por um lado, colaborar com as Universidades, Escolas de Idiomas, ensino secundário a partir do ano passado, e ao mesmo tempo trazer projetos culturais portugueses e integrá-los na agenda cultural galega.»
«Na Galiza, dada a intensidade das relações, e a profundidade com que se pode trabalhar no ambiente cultural, temos essa facilidade: os projetos culturais portugueses são integrados de forma natural numa agenda geral galega».
No âmbito da atualidade do instituto, o professor Rego informa de que «colaboramos com as instituições sociais galegas, quer sejam públicas, de carácter associativo ou mesmo empresarial. […] Neste momento uma das grandes prioridades tem sido a aplicação do Acordo Ortográfico. No primeiro semestre de 2010 fizemos uma ofensiva no que tem sido a formação em torno ao Acordo Ortográfico junto do corpo de Docentes de Português da Galiza. E devo dizer que foi um éxito, portanto, a Galiza a nível de aplicação do Acordo Ortográfico vigente nos países da CPLP, tem sido um modelo a seguir».
Para uma promoção conjunta e eficaz da língua portuguesa, o prof. Rego afirma que «É necessário que as embaixadas de todos os países lusófonos do mundo tenham uma agenda mais convergente». «O crescimento económico do Brasil é ainda uma novidade que temos que aproveitar».
A respeito da Galiza e a CPLP «compete ao governo autónomo da Galiza posicionar-se face ao que é o conjunto dos países da CPLP. Jamais Portugal ou as instituições portuguesas devem pronunciar-se sobre algo que é uma matéria doméstica, ou seja, apesar de sabermos que tem a ver com a política externa da Galiza é um assunto que entendemos como interno das instituições públicas galegas».
Samuel Rego acaba manifestando-se a favor da elaboração do Vocabulário Ortográfico Comum, que considera «extremamente positivo», e pela existência da AGLP sobre a qual «o Instituto Camões só tem a congratular-se pelo facto de existir instituições na Galiza que se dediquem ao estudo e promoção da língua portuguesa».
«Hoje temos que entender o português europeu
como tendo duas normas, a norma portuguesa e a norma galega»
AGLP / PGL - Continuamos com as entrevistas realizadas durante o II Seminário de Lexicologia organizado pela AGLP o passado mês de setembro. É a vez do distinguido professor João Malaca Casteleiro, grande promotor do Acordo Ortográfico e da política comum sobre língua entre todos os países de língua portuguesa.
O professor inicia a sua entrevista de maneira clara: «Hoje temos que entender o português europeu como tendo duas normas, a norma portuguesa e a norma galega». A continuação apresenta o projeto no que está a trabalhar neste momento que é o Dicionário Ortográfio e de Pronúncias.
Casteleiro manifesta-se a favor da elaboração do Vocabulário Ortográfico Comum como elemento para promover a unidade da língua comum incluindo todas as variantes e as suas normas cultas «não apenas dos oito países [de língua portuguesa] mas também da região administrativa especial de Macau e também da Galiza».
O professor Casteleiro admite que «são precisos materiais didáticos» para a implementação do Acordo Ortográfico nas escolas e nos âmbitos profissionais e sociais em que a língua é elemento indispensável.
Sobre as contribuições para uma maior afirmação da língua portuguesa no mundo, o professor explica que «Neste momento podemos dizer que existe já uma política externa da língua portuguesa admitida pela CPLP. Eu próprio tive ocasião de participar em finais de março passado numa grande reunião promovida pelo Brasil, em Brasília, com os representantes de todos os países de língua portuguesa em que foi exatamente consagrada a missão de uma política externa da língua portuguesa. A atual direção da CPLP está muito empenhada em promover essa política.»
«Acho que é muito importante que a norma galega do português, portanto é uma norma galega como há a norma portuguesa no plano europeu, que ela se afirme» […] «A Academia Galega da Língua Portuguesa é um instrumento muito importante dessa política e nomeadamente nas publicações que faz aceitou desde logo o Acordo Ortográfico. Isso é muito importante para a afirmação da norma galega do português no plano da lusofonia.»
Já no fim o Professor lembrou as vantagens económicas e de divulgação cultural que tem o uso da língua comum e a percentagem em valor económico que a língua portuguesa tem para Portugal, a qual representa um 17% do valor total das atividades económicas do país luso. Mostrou-se a favor de promover a unidade essencial da língua e a sua promoção em todos os espaços nacionais e internacionais, porquanto a nossa é a terceira língua europeia mais falada no mundo.