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 Ramom Reimunde Norenha

Ramom Reimunde Norenha

Nasceu na paróquia de São Martinho de Mondonhedo, no concelho de Foz, na Marinha de Lugo, em cujo escudo de armas figura um navio veleiro e três árvores, que preanunciaria os seus amores: o mar e as árvores florestais. Seguiu estudos na escola rural de Ferreira a Velha, em Xixón, no internado claretiano, em Oviedo na Faculdade de Ciências, e em Madrid, na Escola Superior de Engenheiros Navais. Em 1968 viu-se envolvido em revoltas; relacionou-se com Tierno Galván e o PSP.

Regressado à Galiza, na Crunha estudou Náutica, até lograr o título de Capitão da Marinha Mercante, equivalente em Portugal a Comandante de navio, que depois homologaria com o internacional de Master pela República de Liberia. Com essa profissão percorreu os mares do mundo em barcos espanhóis e estrangeiros. Na altura já iniciara estudos de filologia na Faculdade de Compostela, convertido ao galeguismo, anárquica e espontaneamente, mercê de leituras e amigos, entre eles Antom Meilám. Licenciado em Filologia Hispânica em 1979 e em Galego-Portuguesa em 1982, começou a trabalhar no Ensino Público nos Liceus de Viveiro, Lugo, e afinal no IES de Foz, onde atingiu a condição de Catedrático em 1992.

Escreveu, desde moço, mas de regresso à Galiza, publicou centos de artigos em jornais, nomeadamente em El Progreso de Lugo e La Voz de Galicia, sobre temas literários, linguísticos, marítimos ou florestais. Como professor de Língua Galega, sempre defendeu o reintegracionismo na prática das aulas, o qual lhe causou não poucos problemas; foi inovador ao empregar métodos de vanguarda então, realizar vídeos didáticos, entrevistas audiovisuais, cursos por rádio... Deu palestras, colaborou em revistas, traduziu literatura infantil para galego reintegrado (Mafalda entre outras) e participou ativamente em jornadas do ensino e congressos, mormente nos organizados por AGAL e pela Xunta, além de outras atividades culturais nacionais. Reconhece que foi trabalhador ativo e muito idealista, com esperança de uma Galiza melhor e nossa.

Escreveu livros de crítica literária de feição pessoal: Poesia Galega Completa de Leiras Pulpeiro, 1983; Trebom de Armando Cotarelo, Agal-1984; Bem pode Mondonhedo desde agora (Prémio de ensaio Ánxel Fole em 1998, sobre Leiras). Também escreveu sobre Costumes antigos de Galiza, e uma crónica romancística sobre o mar e os pescadores do bonito, A Costeira, em 2006.

Está a escrever uma história florestal do mato na Galiza, desde a sua experiência, O Segredo do monte, porque desde 1990 preside uma SAT e trabalha em plantações e em implantações de associações de propietarios florestais locais, nomeadamente em Promagal, da que foi secretário e desenhador.

Vai para vinte anos que mora na sua antiga casa fidalga familiar em Adelã (Alfoz) com a mulher, de Carnota, e os três filhos, agora universitários ausentes. Leva vida retirada e solitária, longe do mundanal ruído. Como ele reconhece, gosta do seu labor no ensino e dos livros; ama o mar e o mato, as árvores e os navios, e o seu país e a língua dos seus por cima do razoável. Mas considera que a sua pátria é a Língua Portuguesa, como Pessoa, e que é galego pela graça do idioma comum, como Castelão.