Info Atualidade (365)

Professor Joám Evans Pim

O professor Joám Evans Pim é entrevistado no web do Congresso Internacional "Os Celtas da Europa Atlântica". O académico da AGLP participará nesse prestigiado encontro no dia 16 de abril apresentando a ponência "Da fala e da escrita: perspetivas evolutivas".

quarta-feira, 29 julho 2009 02:00

Os únicos galegos e galegas livres

Concha Rousia 

Concha Rousia

Vinte e cinco de Julho, sempre!!

Como cada ano nascemos ao dia na Alameda de Compostela, chegados de todos os recantos do país; o meu caminho passara este ano polo Campus para deixar algumas cousas na banca que com alguns amigos e amigas iria atender na parte da tarde. Andei entre as manifestações, o que me permitiu contemplar várias paisagens...

Destaca na lembrança uma negra, que veio logo a coincidir com outra gémea sua depois à noite. Foi no Franco, voltando para o Campus, a entrada da rua que sobe para o Toural estava cortada por uma ringleira de escudos quadrados e negros; policiais de quadrados corpos e faces rectangulares a ferirem os olhos do que os mirar. As insígnias da sua pátria bordadas nos escuros uniformes... As escopetas a apontarem a qualquer parte; as ásperas vozes, altivas, a dispararem ordens ao ar para impedir o passo das pessoas... Um arrepio percorreu o meu corpo, adivinhei a dor nas costelas de compatriotas meus em mãos da policia espanhola que hoje roubava de nós as nossas ruas. Achei a imagem altamente simbólica dos tempos que correm na política da Junta da Galiza.

Do Franco saía um homem embebedado de álcool, anestesia de escolha para alguns acalmarem a dor deste etnocídio insidioso e interminável... ia movendo uma bandeira de estrela e berrando baixinho: 'Putos espanhóis' 'putos espanhóis'..., também ele me doeu... Decidi seguir a caminho do Campus e o Festigal; mas querer queria ir contra os escudos... e berrar bem alto: ‘Hoje, polo menos hoje, a minha pátria é minha!’ Mas calei, da minha mão ia a minha filha que não tirava os olhos das, segundo as suas próprias palavras, enormes escopetas; já no Campus todo era país... as cores, a música, a paisagem humana, e gastronómica... polvo, empadas, carne a grelha, alguém cozinhara num robô desses uma tortilha quadrada, interessante forma, acorde com os tempos...

Às quatro abrimos pontualmente a banca da Associação Pró-AGLP, bonitinha até polas flores cor laranja e o cheirinho do café... A nosso lado a banca mais heavy de toda a festa, a de AGAL; foi mesmo bom ficar juntos para celebrar. A tarde continuou-se com a passagem pola galeria das letras e a das ideias. O dia vinte e quatro foram as palavras de Ana Miranda, de Oriol Junqueras da Catalunya e de Renato Soeiro do Bloco de Esquerdas... Vozes de esperança para a nossa esquerda europeia. A seguir deles tive eu o privilegio de falar sobre feminismo, direitos sexuais e reprodutivos, junto com Olaia Fernández, deputada, e Carmela Garrido, da Marcha Mundial das Mulheres. Eu falei, entre outras cousas, das consequências psicológicas do aborto, ou até deveria dizer da ausência de consequências psicológicas quando a decisão é livremente tomada pola mulher.

Na galeria das letras não cabia mais uma pessoa, a sala ficou atestada para a apresentação do livro 'Sobre o racismo linguístico' edição coordenada por Pilar Garcia Negro, primeira em falar, com a sua inesgotável força, numa linguagem, como sempre, muito cuidada. Das suas palavras sobressai a denúncia do que o auto-odio leva feito connosco; falou da adaptação que dos nomes galegos se leva feito... Falou no caso da deturpação do sobrenome de um companheiro-professor levada a cabo por um antepassado deste emigrado no sul da Espanha, que converteu 'Candal' em 'Candil' para parecer mas aceitável para o castelhano... Porque seica 'Candal' não soava nada Espanhol. E eu pensei, acaso não será que para o galego se escolheu a ortografia castelhana em lugar da nossa ortografia histórica pola mesma razão? para que se pareça a algo espanhol? Deixo aqui estas reflexões que não pude, por falta de tempo, comentar com Pilar, mulher guerreira que admiro e da que sigo a aprender.

A seguir dela Xosé Ramón Freixeiro Mato fez um interessante e demorado percurso pola história, pola nossa história, mesmo que triste, nossa, e grande, e por contar, por escrever... E por último falou Luís Villares Naveira, o juiz de Primeira Instancia e Instrução da Fonsagrada, o juiz que eu escolheria se na Galiza se pudessem escolher essas cousas, e houvesse justiça de seu...

Das palavras, potentes e atrevidas, deste jovem juiz, quero salientar algumas que foram o motivo principal para eu escrever esta crónica; palavras que falam da ideia de ‘liberdade’. Liberdade para escolher em que língua falar os galegos e galegas. O primeiro é a afirmação de que para ser livres na hora de fazer essa escolha temos que ter competência nas duas línguas hoje oficiais na Galiza, ou então a escolha foi feita por nós. A Constituição espanhola insta aos poderes públicos para fazerem o que for necessário para que os indivíduos da Galiza tenham capacidade para poder escolher se falar em galego ou em castelhano; é por isso que desde o Estado não podem arremeter contra a Lei de imersão linguística da Catalunya, eles cumprem um mandado constitucional; porque com efeito, não podemos ser livres de escolher entre uma e a outra língua se não dominamos as duas, pois um não pode ser livre para escolher aquilo que não está a seu alcance... As pessoas que não se saibam exprimir em galego, como já é o caso de muitas das nossas crianças e jovens, não são livres para escolherem, eles terão que se limitar a falar o castelhano que sabem... Ficando apenas livres para escolher em que falar os falantes da língua própria da Galiza, porque estes dominam sempre as duas línguas.

Ser ignorantes da língua própria da Galiza não é portanto um direito constitucional para os galegos, nem também não o é, hoje, ser ignorantes da língua de Castela. Deduzimos então com certeza, que apenas os galego-falantes somos livres de escolher em que língua falar porque todos sabemos as duas, quanto que dos castelhano-falantes não se pode já dizer o mesmo. Nós somos então os únicos livres para poder escolher... quem lho iria dizer aos fala-barato de ‘galicia bilingue’... pois é senhora Lago, pois é... O que vocês estão a pedir, mesmo talvez sem se aperceberem, é o direito a escolherem para seus filhos serem ignorantes da língua própria da Galiza, mas livres, não.

Na oratória do Luís Villares, o juiz da Fonsagrada do que desde já confesso ser fã, encontrei uma força que julgava perdida, até me fez pensar em oradores de outros tempos; achei também, e peço me permita assim o dizer, a dose justa de humildade que eu acho imprescindível para que um homem possa chegar a ser grande; para ele os meus sinceros parabéns por se atrever a abrir caminhos em terrenos pouco favoráveis.

E como o tempo não dá para eu poder narrar tudo o que se passou na banca da Pró-Academia, simplesmente envio um muito obrigada para todo o mundo que colaborou connosco neste nosso primeiro ano no Festigal. Mesmo que nosso espaço fosse um recanto um bocado afastado da parte central, metáfora de nós próprios, era um espaço digno...

Já em casa, depois de ouvir as nossas divas, Ugia Pedreira e Guadi Galego, na TV que alguém ligara, vi o esperpento que teve lugar ao outro lado da catedral. Frijol, disfarçado de pinguim, rodeado de militares a marcharem pola praça, seguidos por  ringleiras de curânganos com vestidos brancos e vermelhos, num Obradoiro no que havia uns quantos senhoritângos que eu nem conheço nem reconheço...

Desliguei a TV, mandei pró nabo aquela imagem quadrada, e encaminhei-me para a cama, com a certeza de que o pesadelo seguiria...

Fonte original:

Artur Alonso Novelhe

O recente lançamento do poemário Filhos da Brêtema, o último trabalho do académico Artur Alonso Novelhe, apresenta a novidade de vir à lume numa edição bilíngue em português -adaptado ao Acordo Ortográfico- e em catalão. O Portal Galego da Língua acaba de publicar uma extensa entrevista ao autor do livro que divulgamos a seguir.

Carlos Amaral e Ana Paula Laborinho

O Léxico da Galiza elaborado pela Academia Galega da Língua Portuguesa e introduzido no FLiP 8 da Priberam estará presente em todos os países lusófonos.

Web Centenário Ernesto Guerra da Cal

A Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com o apoio doutras entidades cívicas, comemora o 100 aniversário do nascimento do professor, investigador e poeta galego Ernesto Guerra da Cal (1911-1994) com o lugar web Centenário Guerra da Cal.

Professor Dr. Higino Martins Esteves

Web do Congresso Internacional "Os Celtas da Europa Atlântica" publica entrevista ao professor Higino Martins, académico da AGLP. O vindouro 15 de abril, e sob o título "As Célticas Hespéridas", o professor Martins Esteves participará no III Congresso Internacional sobre Cultura Celta.

Cartaz do Congresso "Os Celtas da Europa Atlântica"

Os dias 15, 16 e 17 de abril de 2011 terá lugar no Paço de Cultural de Narão (Galiza) o III Congresso Internacional sobre Cultura Celta. Este encontro científico vai contar com uma destacada participação de membros da Academia Galega da Língua Portuguesa.

António Gil Hernández

"É como se a Real Academia Espanhola
se entendesse com umha academia de spanglish"

Eduardo Maragoto - António Gil Hernández é o presidente da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), um projecto de criaçom recente que aglutina os defensores da adopçom, sem demoras nem normas transitórias, do Acordo Ortográfico de 1990, que previsivelmente será adoptado polo conjunto dos países lusófonos nos próximos anos

É também um dos principais referentes intelectuais dessa corrente do reintegracionismo, tendo publicado nomeadamente trabalhos de carácter sociolingüístico.

Em Abril, a AGLP apresentou à Academia Brasileira de Letras e à Academia das Ciências de Lisboa o “Léxico da Galiza para ser integrado no Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa”, que inclui perto de 700 palavras passíveis de ser incluídas em dicionários portugueses e brasileiros. O trato recebido pola Academia galega por parte das homólogasluso-brasileiras surpreendeu muitas pessoas adversárias, e até partidárias, do movimento reintegracionista, que nom estavam à espera de tamanho reconhecimento a um movimento ainda mui afastado do poder institucional. 

Que possibilidades reais existem de estas palavras virem a fazer parte dos principais dicionários portugueses?

Se estás a referir-te aos dicionários de empresas editoras, parece que algumhas empresas estám interessadas... Quanto ao Vocabulário e ao Dicionário 'oficiais', em grande medida fôrom eles a dizer-nos que propugéssemos por volta de 600 palavras galegas.

Qual foi o método seguido para a escolha das palavras galegas propostas? Lendo-as, dá a sensaçom de muitas nom serem de uso geral: dialectalismos e até castelhanismos...

Os critérios fôrom fazer propostas suficientemente estritas como amostra do que poderíamos introduzir à espera de que nos digam ou pactuemos os critérios. Começamos polo Vocabulário (neste som menos as palavras propostas). O Dicionário será diferente: sem tratar-se de um tesouro lexical, tem que dar umha visom da língua extensa e útil. É um instrumento que se dá para quem quiger ler um texto, literário ou de outra ordem, para que poda recorrer a um dicionário caso nom conheça umha palavra. Por isso, na parte do dicionário fomos relativamente generosos. O critério que se usou foi que essas palavras nom existissem no dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, embora muitas delas estejam no Houaiss (Brasil) e noutros portugueses, às vezes com referência à sua condiçom regional do Minho.

Chama a atençom que nom esteja a palavra 'reintegracionismo' nem essa acepçom para 'lusismo'.

Nom, em tal caso, no Dicionário, quando chegasse o momento, poderia incluir-se. Isto é umha proposta nom definitiva. Esperamos as observaçons de professores que receberam o texto, que é um rascunho, umha amostra que se apresentou quando foi apresentado o Vocabulário brasileiro.

Em que medida se trata de relaçons entre academias em pé de igualdade?

Participamos em duas sessons. Na primeira, fomos recebidos na mesma sala em que tiveram lugar as discussons sobre o Acordo Ortográfico (1990) em Lisboa. Estávamos 4 académicos galegos e 5 portugueses; depois fomos convidados a um jantar na própria Academia que, ainda que descontraído, seguiu o protocolo correspondente. Quanto à segunda sessom, a solene, na mesa estavam os três presidentes das Academias. À partida, nem nós próprios contávamos com isso, mas foi exigido pola parte portuguesa e brasileira. Em que condiçom? Entendemos que em pé de igualdade, apesar da situaçom particular da Galiza. Tenha-se em conta que mesmo com umha situaçom normalizada, a Galiza nom pode ombrear-se com o Brasil. Há outras diferenças interessantes de salientar e que nos aproximam do Brasil. É o facto de a Academia Brasileira das Letras ser, como a AGLP, 'privada'. Nom é organismo do Estado, como a Academia das Ciências de Lisboa, embora seja referência assumida polo Governo federal.

Xosé Ramón Barreiro dixo a este jornal que se tinham posto em contacto com Lisboa para lhes fazer ver que a RAG era a única “representante da Galiza”. Nom lhe figérom caso?

Nom sei se lhe figérom caso e nem sequer sei se de verdade se dirigiu à Assembleia da República Portuguesa. O que é verdade é que com quem entendem que devem entender-se é com os reintegracionistas e concretamente com o órgao equivalente ao que eles tenhem. Nom faria sentido que se entendessem com umha academia que di que o galego e o português som línguas diferentes. É como se a Real Academia Espanhola se entendesse com umha academia de spanglish.

Até quando vai tolerar Portugal este relacionamento. Ou será que o rumor do suposto medo português a Espanha nom tinha fundamento?

Isto daria para umha conferência. Polo que observo, nas reunions realizadas houvo umha sançom positiva tanto de Portugal e do Brasil como de Espanha. Neste caso, interessa salientar que há umha entidade galega, mais ou menos do mesmo nível institucional que a portuguesa e a brasileira, reconhecida por estas instituiçons, e da qual fôrom testemunhas qualificadas um representante do ministro que está a levar a introduçom do Acordo [o ministro da Cultura português] e o segundo da Embaixada espanhola. Ele, que estivo presente na reuniom, pudo comprovar de que se tratava.

As relaçons da Academia Galega da Língua Portuguesa com a parte nacionalista do governo bipartido pareciam boas; e agora, virám mais dificuldades?

O novo governo nom ajudará, mas nom penso que poda pôr dificuldades; enquanto as cousas estiverem mais assentes, temos pensado falar com o presidente da Junta. De qualquer modo, o Governo nom pode interferir nas actividades lícitas dos cidadaos e, por outro lado, nom dependemos dos orçamentos estatais ou autonómicos.O Governo de Madrid, que é o que tem as competências relacionadas com os negócios estrangeiros está informado de todo o que fomos fazendo, porque a Embaixada espanhola em Lisboa foi informada de cada reuniom por nós mesmos; nom se pode dizer que andássemos a esconder nada.

Fonte original:

Professor António Gil Hernández

António Gil Hernández

Devo, antes de mais, advertir que as que seguem são apenas reflexões1 meditadas, mas não documentadas (cá) sobre a situação da Galiza no seio da Lusofonia, perspetivada desde o facto de a Academia Galega da Língua Portuguesa [AGLP] existir publicamente desde o 6 de outubro de 2008.

Deixo de lado a organização interna da AGLP. Simplesmente considero que é entidade (ou instituição) privada na «Comunidad Autónoma de Galicia» [CAG] com objetivos e atividades que ultrapassam a sua condição de privada, mas decisivos no que atinge às relações da Comunidade lusófona galega com os países —na realidade estados— da Lusofonia, nomeadamente com Portugal e com o Brasil.

1.- A Galiza no Reino de España e na Lusofonia: Contexto sócio-político.

Não é fácil nem singelo, nem sequer para os súbditos2 do «Reino de España» [RdE], entender o acontece na Galiza, quer na CAG, quer entre os ainda galego-utentes na «Comunidad de Castilla y León» e no «Principado de Asturias».

Reconheço que, depois de viver mais de trinta anos na Galiza, vou compreendo bastante do que se passa no RdE relativamente, em particular, à Galiza lusófona. Ao caso aponto uns factos, a meu ver, fulcrais:

A) O RdE é estado, como noutras ocasiões tenho dito, reacionariamente moderno.

Com efeito, é resultado, por agora, de três restaurações da Casa dos Bourbões: A primeira (1814) repôs o Absolutismo, depois do reinado de José I Bonaparte (1808-1814); a segunda (1875) suprimiu, mercê de um golpe militar, a I República, federal (1873-1874); a terceira, trás eliminar sanguinariamente (1936-39) a II República, foi preparada pela ditadura do general Franco (1936-1975) e nela estamos agora os súbditos do RdE, sob o chefe do estado que Franco nomeou e impôs.

B) O projeto e processo nacional [ou nacionalista] do RdE é reacionariamente jacobino.

Explico-me: Os dirigentes não apresentam a eliminação de «las demás lenguas españolas» (procurada) como eliminação da «féodalité» e a imposição maciça de castelhano, como expansão da língua da «liberté», segundo fizeram os revolucionários franceses, mormente o abade Grégoire no seu Relatório (1794). Antes o castelhano vem a ser símbolo de uma uniformidade plana e vazia.

C) Por consequência, da parte espanhola, o Galego, quer dizer, o Português da Galiza ou Português galego, acha-se não só desprotegido desde princípios do séc. XIX, depois de longo silêncio escrito a que uns e outros submeteram os seus utentes, mas abertamente atacado, como evidenciam as declarações e atuações dos dirigentes do PP, paradoxalmente presidido por uma pessoa nada na Galiza, que alardeia de “gallego”3, os quais dirigentes acovilham ou se aompanham de entidades e partidos contrários a existência da Galiza em Português galego.

D) Por outro lado, ao contrário do proceder do RdE, no seio da Hispanofonia, em prol da sua língua nacional, a Lusofonia ainda está a articular-se em grau ainda deficiente, de modo que, por uns motivos e por outros, o Galego, o Português da Galiza, se acha, por esse lado também, isolado no território da CAG e não confortado com a devida ajuda dos países lusófonos, nomeadamente com a ajuda de Portugal. Tenho de reconhecer que desde 1986, ano do primeiro Acordo, pouco e pouco na República portuguesa se acrescenta o interesse em prol da Galiza, dos galegos e da sua língua e cultural, por vezes interferido por ações governamentais do RdE.

2.- O Galego e o Português na Galiza e na Lusofonia: Nomes e realidade linguística e social.

De uma armadilha, falsamente “filológica”, se servem os “notables” do RdE, desde as suas instituições, para isolarem (e de passagem abafarem) a Comunidade Lusófona da Galiza: É usurpação da “cousa” pelo “nome”. Vejamos:

Nos textos legais do RdE, para se referir à língua da Galiza, nunca se utiliza a denominação Português, mas Galego.

Daí os “filólogos”, junto dos “politicos, argumentam: «Se a “cousa-língua” recebe o nome de Galego, e não de Português, é pelo “facto” de a galega ser língua diferente da portuguesa

A seguir concluem (escolásticos mais velhacos do que matreiros): Portanto, não só é ilícito confundir Galego e Português, mas sobretudo é ilegal. E, como ilegal, mesmo deve ser punível.

De facto já bastantes cidadãos, funcionários mormente, foram punidos por susterem que as falas galegas podem e devem ser cobertas pela ortografia portuguesa.

Permita-se-me insistir:

Não me parece grave que os políticos, afeitos a serem matreiros e velhacos quando lhes convém, utilizem essa “arguta argumentação”.

O que estimo sumamente grave é que professores sisudos e mesmo inteletuais universitários revistam de roupagens pseudocientíficas tamanha falsidade, que dana qualquer inteleto normal.

Sabe-se que uma mesma “cousa” pode receber nomes diferentes, segundo a perspetiva com que for observada. A «lengua nacional» do RdE tem o nome constitucional (art. 3.1) de “castellano”, enquanto as «academias» dessa «lengua», a começar pela «Real Academia Española» persistem em a denominar “español” ou “lengua española”.

Em honra da congruência, eu concederia alguma razão aos “filólogos” na CAG, funcionários do RdE, se, ao diferençarem entre Galego e Português, aplicassem a mesma lógica “separatista” aos idiomas do “castellano” ou “español”: Surgiriam, só do castelhano europeu, pelo menos cinco “diferentes”: andaluz, panocho, canário, extremenho e castelhano-manchego.

Seja como for, as falas galegas acham-se, em grau diverso, contaminadas pela pressão da «lengua nacional» do RdE, que, na pronúncia e nalgum léxico, as distingue do Português. Se, ao ver dos professores funcionários do RdE, essas diferenças justificam a existência de uma «lingua galega» diversa e divergente da portuguesa, deveriam também reclamar, por honradez inteletual, a existência de divergentes «lenguas» relativamente à castelhana. Mas não o fazem.

Antes, baseiam a unidade e unicidade da «lengua castellana», que eles insistem em denominar «española», na unidade gráfica, como explicitamente sentençam as «Academias de la Lengua Española» no prólogo da última edição (1999) da «Ortografía». É o discurso dominante (e politicamente correto) entre os professores funcionários do RdE e, em geral, da Hispanofonia.

Por exemplo, a Prof.ª Eva Bravo4, da Universidade de Sevilha, reitera essa concepção:

[...] Afortunadamente, hay uniformidad gráfica en el mundo hispanohablante, que de manera indiscutible facilita la internacionalización en el nivel escrito y da cohesión formal a la lengua por encima de las variedades de pronunciación. (o negrito e itálico são meus)

Quando os “filólogos” funcionários do RdE “normativizaram” o “galego”, adaptaram a grafia do castelhano de modo que na escrita o “galego” divergisse do português. Aduzem para assim proceder o facto de a pronúncia galega ser diversa da portuguesa. Se utilizassem a lógica, teriam de considerar «pronúncias» (em plural) tanto do “galego” quanto do Português.

Na realidade, quando as comparam, não o fazem entre pronúncias homologáveis, mas opõem as populares galegas (imaginadamente unificadas) à culta portuguesa, em particular à lisboeta5.

No proceder “normativizador”, os “filólogos” funcionários do RdE na CAG não inventaram uma “ortografia” ad hoc, própria do Galego; antes, adaptaram, como disse, o “Alfabeto Fonético Nacional” do “español-castellano”, até ao ponto de pregoar que a letra Ñ, símbolo da Hispanidad, é letra caracteristicamente galega.

Confirmo o acima exposto com umas afirmações do atual Catedrático de Galego na Universidade de Santiago de Compostela [USC], lá por volta de 19816:

Cando se tratou de normativiza-la lingua e a Academia Galega e o Instituto da Lingua Galega da Universidade [USC] chegaron a unha normativa case común, a uns cantos aficionados ocurréuselles presentar unha normativa lusista, ou reintegracionista, como se di pra disimular, querendo achega-lo galego ó portugués na grafía, na morfosintaxe e no léxico, porque resulta que utiliza-lo galego vivo é escribir baixo a presión do castelán e hai que recupera-lo que nunca existiu. Así chégase a dúas posturas totalmente contrarias, porque unha exclúe á outra e non hai posibilidade de entendemento.

Estes galegoaprendices en moitos casos fixéronlle un fraco favor ó galego e contribuíron a que a xente se indispuxese aínda máis contra a nosa lingua. Sabido é que nas aldeas falan o galego coa conciencia de que o falan mal. Se por enriba lle imos [dizendo] de que o verdadeiro galego é alleo e con lusismos, aínda se convencen máis eles. O que debemos facer é facilitarlles todo o labor de aprendizaxe do propio idioma e pra eso cómpre ter en conta o que deprenden na clase de castelán. O galego e o castelán teñen hoxe unhas características moi semellantes, cousa que non sucede entre o galego e o portugués falado, e mesmo escrito.

Perante tanta fraqueza da razão e gordura da ideologia, alguns “filólogos” da mesma escola compostelana tentaram basear a independência do Galego, a respeito do Português, no facto de aquele ser língua por elaboração, diversa da levada adiante neste. Contudo, não explicam os motivos por que eles elaboram um “galego” afastado do português. Talvez porque, em definitivo, teriam de confessar a sua arbitrariedade para assim proceder. Deveras incorrem num perverso círculo vicioso. Ei-lo, resumido:

«Elaboramos um “galego” diferente do Português para “provar” que o “galego” é diferente do Português.»

Seja como for, os governantes utilizam essa “normativización” do “galego” para lograr que o “galego” seja cada vez mais parecido com o castelhano. e assim efetivarem mais rapidamente o projeto-e-processo nacionalizador do RdE, De facto, nos âmbitos do ensino, mormente não universitário, e através dos média incutem nas consciências dos galegos tanto a doutrina nacional/ista, quanto a espécie da o “galego” (o seu “galego”) não ser português. Os efeitos perversos estão mais cada vez a estender-se: Os cidadãos entendem que o “galego” sobeja, que é supérfluo perante a eficácia do castelhano.

3.- A Academia Galega da Língua Portuguesa: Agente superador da “deriva” do Galego (“también oficial”) para o castelhano (nacional e “oficial” do RdE)

O processo assimilador do Galego ao castelhano vinha sendo intenso desde tempos anteriores a 1936. Contudo, a ditadura do general Franco e do seu “Movimiento Nacional” radicalizou-o desde o início da guerra civil (1936-39).

Contra ele, mormente a partir da morte do ditador, movimentaram-se pessoas agrupadas em associações; por ordem de aparição, foram as Irmandades da Fala da Galiza e Portugal, a Associação de Amizade Galiza-Portugal, a Associaçom Galega da Língua, a Associação Sócio-Pedagógica Galaico-Portuguesa, o Movimento Defesa da Língua, no âmbito da CAG, e mais umas, de âmbito local. Todas adoptam a concepção reintegracionista da Galeguidade.

Existem outras “asociacións” que procuram a conservação e “normalización” do Galego, como a Mesa pola Normalización Linguística.

Umas e outras publicam revistas, livros, realizam reuniões e conferências de diverso tipo pela Galiza adiante.

Não obstante, não conseguiram levantar o isolamento a que a Galiza está submetida pelo RdE a respeito da Lusofonia. Só em 1986 e em 1990, com ocasião dos Acordos Ortográficos e mercê das gestões de pessoas, como o saudoso Prof. Guerra da Cal e o advogado José Luís Fontela, alguns galegos estiveram presentes, como observadores, nas reuniões do Rio e de Lisboa. Dessarte, a Galiza ultrapassou as fronteiras do RdE e pôde evidenciar que faz parte da Lusofonia. Mercê de aquela participação foi possível que onze galegos, das organizações culturais e sociais anteditas, estivessem presentes na reunião preparatória da ratificação do Acordo de 1990 realizada na Assembleia da República, em Lisboa (7 de abril de 2008).

Foi também naquela data que esses e outros galegos decidiram pôr em andamento a Academia Galega da Língua Portuguesa [AGLP], de que, havia tempo, uns e outros, como o saudoso Prof. Carvalho Calero vinham falando. No Colóquio da Lusofonia de 2006, em Bragança, José Martinho Montero Santalha, atual presidente da AGLP, propôs formalmente a sua necessidade e mesmo urgência.

3.1.- A denominação “língua portuguesa”: Controvérsias

Um dos assuntos em discussão foi o nome. Afeitos a denominar as falas da Galiza pelo nome Galego, houve e há reticências para adoptar, como adequado a elas, a denominação Língua Portuguesa. Dizem os contrários que é apelativo estrangeirizante, impróprio do Galego e inaplicável às falas galegas. Na realidade estão a aceitar, inconscientemente na maioria dos casos, a pressão do “oficialismo español”, que utiliza em exclusivo o nome Galego, segundo acima assinalei.

Felizmente bastantes pessoas vão entendendo não só a propriedade do nome, mas sobretudo a sua pertinência e eficácia aos efeitos não só culturais, genéricos, mas também administrativos, no RdE e fora dele. De facto a denominação Academia Galega da Língua Portuguesa foi registada, sem graves dificuldades, no RdE e na República Portuguesa. Igualmente a Associação Cultural Pró AGLP ficou registada na CAG, também sem dificuldade. É no seio dessa Associação que se acha, por agora, a AGLP7.

3.2.- O ato inaugural de 6 de outubro de 2008: Instituições e pessoas que participaram

Na rede existe informação sobre o ato inaugural da AGLP. Para além, foi editado um DVD que recolhe completo o ato. Por isso apenas faço esta breve reflexão.

Na intenção dos seus promotores, a AGLP não deve nem se sobrepor aos grupos cívicos e culturais existentes na Galiza com vistos à normalização da sociedade em Galego, nem menos ainda as tornar supérfluas. O labor fundamental da AGLP abrange dous aspetos, a meu ver, elementarmente básicas:

a) No interior da Galiza, pode conjuntar as atividades de todos os grupos galeguizadores fornecendo-lhes sentido de universalidade, ao oferece-lhes o Português como instrumento e símbolo de comunicação entre os cidadãos da Galiza. E não só, porque também pode induzir à colaboração de todas as interessadas, pessoas e associações, na [re-] naturalização do Galego, como Português galego.

b) Outro aspeto, capital, justamente se dirige a abrir a Galiza ao mundo da Lusofonia.

Ambos os aspetos ficaram patentes no ato inaugural e sobretudo nas palestras dos diferentes oradores que nele intervieram.

A presença e palavras do Prof. Artur Anselmo, da Academia das Ciências de Lisboa, e do Prof. Evanildo Bechara, da Academia Brasilera de Letras, outorgaram à AGLP nascente a condição e dignidade lusófona8.

Esta foi confirmada pela presença e palavras dos Prof.es Carlos Reis e Malaca Casteleiro, da República portuguesa. O escritor João Craveirinha, pela parte da Lusofonia africa, coroou as intervenções dos professores citados.

Nalguma medida, o governo galego, representado pelo Sr. Pérez-Lema, da Vice-Presidência da “Xunta de Galicia”, e, por ele, o RdE (ao menos oficiosamente), também reconheceu, junto da condição e dignidade lusófona da AGLP, a pertença da Comunidade “galegófona” à Lusofonia. Hoje, tristemente, temos (ou tem-nos?) outro governo, esperemos que não contrário demais à Lusofonia.

3.3.- Atividades em processo: Boletim e Comissões

Acabo com uma breve relação das atividades em desenvolvimento:

a) A publicação do primeiro volume do Boletim da AGLP, distribuído no ato inaugural. Está quase preparado o segundo volume, que possivelmente seja dado a lume em maio ou junho próximos.

b) A publicação do DVD acima apontado, assim como a colocação na rede de um muito estudado resumo das intervenções no ato inaugural.

c) A elaboração do Léxico da Galiza pela Comissão de Lexicologia e Lexicografia para ser incluído no Vocabulário comum da Língua Portuguesa. Seguirá a elaboração do Léxico galego, igualmente com vistos a ser incluído nos Dicionários da Língua Portuguesa.

d) A edição do I Anexo do Boletim da AGLP, intitulado Galiza: Língua e Sociedade (XIV ensaios), que será oferecido ao longo da Galiza em atos diversos.

d) Os trabalhos da Comissão de Planeamento.

e) A conseguinte preparação e futura publicação de uma Coleção de Clássicos Galegos, versionados na escrita comum.

f) A preparação de um Arquivo Geral de textos, a ser instalado na rede, pela parte da Comissão de Informática.

4.- Conclusões... abertas ao futuro imediato e menos imediato

As conclusões, por agora, podem ser encerradas em duas:

1.ª Há muito a fazer.

2.ª Há entusiasmo para levar adiante o que cumpre fazer.

Notas:

1 Texto apresentado como comunicação aos Colóquios da Lusofonia.- IV Encontros Açorianos da Lusofonia, Abril de 2009, revisto para o PGL.

2 São ditos cidadãos, mas para tudo o referente às línguas «autonómicas» (Galego ou Português galego, Basconço ou Euskara e Catalão, divido pelo Reino em duas “línguas”, catalão e valenciano) esses cidadãos passam a ser súbditos, submetidos, sujeitos à lei da desigualdade, como assinalo a seguir.

3 Estou a referir-me, como bem se sabe, ao Sr. Rajoy. Nunca usou a língua que o acreditaria de Galego, nem sequer quando, com Fraga como presidente, vice-presidia a “Xunta de Galicia”.

4 No seu El español internacional, Madrid, Arco/Libros, 2008, p. 17.

5 Vale lembrar que,desde que foi banido da produção escrita, circa 1521, no Galego não existe pronúncia que possa estimar-se unificada. Em regra, os cidadãos da Galiza que pretendiam —e pretendem— “falar culto”, fazem-no em castelhano, enquanto para se exprimirem em Galego, procuram ruralizar a expressão para “falar como o Povo”.

6 Cito de «Unhas cantas reflexións sobre o galego», artigo publicado em El Ideal Gallego, Crunha, 18 de outubro de 1981. Tomo os parágrafos aqui citados de Que galego na escola?, Sada, Eds. do Castro, 1984, p. 81, nota 12.

7 Foi por prudência política ou diplomática, no mais nobre sentido das palavras, que assim a ordenamos, porquanto tememos, dados alguns precedentes conhecidos, que não seria registada no RdE como entidade juridicamente independente. O pretexto seria que entra em colusão com a Real Academia Galega, existente desde 1906, inicialmente “reintegracionista”, mas cedo desviada dessa orientação.

8 Em 14 de abril do presente ano, tal aceitação foi confirmada e cenificada em Lisboa, no ato de lançamento do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, preparado pela ABL a teor do Acordo Ortográfico, já vigorado no Brasil, e da proposta de Léxico da Galiza, preparado pela Comissão de Lexicologia e Lexicografia da AGLP, com o objetivo de ser integrado tanto no Vocabulário Comum da Língua Portuguesa, quanto nos dicionários portugueses.

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quinta-feira, 16 abril 2009 00:00

Um 14 de abril histórico para a Galiza

Alexandre Banhos na Sessão Interacadémica

Alexandre Banhos

O 14 de abril para os espanhóis é a lembrança duma festa popular que se correspondeu com a proclamação da segunda república1. A partir de ontem o catorze de abril vai ser data a festejar tamém no calendário cívico galego.

Nos dous últimos anos o reintegracionismo todo está tendo avanços no relacionamento e reconhecimento institucional em Portugal como antes nunca2, pois infelizmente isso não ia além de ser um sonho no âmbito institucional, sem esquecermos o reconhecimento de que a nível individual o reintegracionismo já muito tinha alicerçado nesse relacionamento, eis como bom exemplo os grandes Congressos Internacionais da Língua organizados pola AGAL, ou os da Associação Internacional de Lusitanistas.

Há agora um ano, em 7 de Abril de 2008, o reintegracionismo todo estava convidado a falar num ato ordinário da Assembleia da República Portuguesa (Parlamento) e sobre nada mais nem menos que o assunto comum da língua, a nossa língua internacional3, plural como todas as línguas internacionais.

Nestes dous anos todos ajudamos4 desde o reintegracionismo, cada pessoa de acordo com as suas possibilidades e capacidades para que na Galiza por fim existisse uma Academia da Língua5 que se pudesse relacionar em pé de igualdade com as academias do Brasil e Portugal.

A AGLP nasceu com os melhores agoiros e com a bênção das suas irmãs mais velhas. O ansiado acordo ortográfico uniformador da escrita, que muito foi desejado de sempre na AGAL no contraste da nossa língua com as outras quatro grandes línguas internacionais e nomeadamente o espanhol, por fim é um feito.

O dia 14 de abril no formosíssimo salão da Academia de Ciências de Lisboa, tivo lugar a primeira reunião solene de todas as academias existentes da língua portuguesa, a nossa, pois por esse nome é conhecida internacionalmente.

Estava em pleno a Academia de Ciências de Lisboa Secção de Letras e muitos membros da Secção de Ciências; a Academia Brasileira de Letras (Rio de Janeiro) com uma muito considerável representação dos seus membros; a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com igualmente uma importante representação. A Direção da Academia de Letras da Bahia. Acompanhavam as seguintes autoridades: os embaixadores de todos os países lusófonos em Portugal; a representação da embaixada espanhola no seu agregado cultural, ao estar presente uma instituição pertencente ao Reino de Espanha; os embaixadores ante a CPLP; o ministro e autoridades de Cultura de Portugal e das suas universidades, e representantes vários de todos os países presentes e os da comunicação social. Pola Galiza estava presente este Presidente da AGAL, e infelizmente faltavam autoridades políticas que foram devidamente convidadas e da comunicação social.

Presidiam a sessão, os Presidentes das Academias de Portugal, Brasil e a Galiza.

Gostei imenso dos discursos mas não vou trasladar aqui as minhas notas de todos os seis oradores, já que nos próximos dias há haver muita informação do evento, mas vou salientar do discurso do último dos oradores, o professor Adriano Moreira, as seguintes palavras: A língua não é nossa dos portugueses, nós temos a língua igual que a têm os brasileiros, galegos, angolanos... a língua constrói-se nas beiras do Sar e no mato brasileiro, a língua é um património comum de todos que não pertence a ninguém.

Eu por causas de trabalho não pude fazer a viagem com o resto da delegação galega, o dia 13 às 10 da noite ainda estava numa reunião e o dia 14 às 6 horas da manhã partia de carro para Lisboa. Essa manhã ainda tive tempo de fazer algumas gestões em Lisboa a ver com próximas atividades do reintegracionismo e com as possibilidades de chegarmos a distribuição dos nossos livros em Portugal. No carro levava uma caixa cheia de livros nossos para a biblioteca da Academia e para agasalhar aos amigos, pena não fossem muitas mais caixas, pois logo todos desapareceram.

Fum das primeiras pessoas em chegar à sede da Academia, onde falei com muitos amigos, e de passo nasciam outros novos, fum tratado com grande carinho e consideração que sei que era na minha pessoa para todos os nossos associados e para o povo galego em geral. Aguardo cumprir a minha palavra e em julho deste ano deslocar-me ao Brasil para continuar alargando os tecidos que nos atam. 

José-Martinho Santalha, presidente da AGLP, co-presidiu a sessão

José-Martinho Montero Santalha, presidente da AGLP, co-presidiu a sessão

Notas:

1 A república foi um período democrático nos anos 30 do século passado no estado espanhol, que foi apagado sob o terror fascista. Ao falar do terror não estou a pensar na guerra que desatou a sublevação militar, estou pensando na aplicação sistemática do terror à população como instrumento político, terror que é bem doado ainda de se perceber a pouco que se ranhar na pele do povo da Galiza.

Hoje reconhece-se que bem mais de um ¼ de milhão de pessoas foram executadas e desaparecidas. No pequeno esforço do juiz Baltasar Garzon para sacar a luz estes temas da "memória histórica", em só quatro meses já fora feito um pequeno inventário que se afirmava longe de completo, de 222.749 pessoas executadas extrajudicialmente e desaparecidas. E sem esquecer o role do aparelho judiciário nunca expurgado nem depurado na aplicação dessa doutrina terrorista.

No ano 1952 o Fiscal Geral do Estado Espanhol gabava no seu relatório anual a magnanimidade do "el Caudilho", pois só se levaram a cabo (sic) 12.852 execuções com o "garrote vil" nos últimos anos, frente aos milhares e milhares de condenados cuja pena de morte foi comutada ou indultada pólo "el Caudilho". Tal magnanimidade e amor ao próximo é bem lógico que pola igreja católica universal espanhola fosse devidamente abençoado, com o reconhecimento de que o "el Caudilho" nas igrejas devia entrar e estar sob o pálio no mesmo grau que o Santíssimo.

2 Tamém no reconhecimento institucional na Galiza, tanto no relacionamento com as instituições como no relacionamento com empresas e entidades para os que resultávamos absolutamente marginais.

3 Com esta campanha por primeira vez o reintegracionismo estivo no dia a dia em todos os meios de comunicação de todos os países da lusofonia (todos).

4 Nisso ha que destacar o trabalho pessoal e infatigável de Ângelo Cristóvão e a razão pacífica e tranquila do professor Martinho Monteiro Santalha.

5 A RAG não é uma Academia da Língua.

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