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Info Atualidade (365)

sexta-feira, 07 janeiro 2011 17:36

"Ayes de Mi País" apresenta-se no Paço de Tor

Capa de Ayes de Mi País: o Cancioneiro de Marcial Valladares

Cancioneiro foi editado de parceria com aCentral Folque e a AGLP

Neste sábado 8 de janeiro, às 20h30, apresenta-se Ayes de Mi País: o Cancioneiro de Marcial Valladares, o primeiro cancioneiro  musical galego com a edição crítica recentemente publicada por José Luís do Pico Orjais e Isabel Rei em Dos Acordes. A apresentação será no Paço de Tor (Monforte). Haverá um recital de guitarra de Isabel Rei interpretando peças do cancioneiro.

O Paço de Tor, nas imediações de Monforte, acolherá a apresentação do 1º cancioneiro galego de música, coletânea de peças populares até agora inédito na sua versão completa. Precisamente nos ambientes da fidalguia pacega foi onde se desenvolveram as sensibilidades e se reinterpretavam estes temas nas soirées ou veladas musicais em meados do século XIX, muito à moda européia nessa altura. Por esta razão haverá um pequeno concerto de guitarra no ato de apresentação.

Marcial Valladares e a sua família, mantinham este costume no seu paço de Vilancosta (Estrada) e fruto das recolheitas de campo sobre o folclore galego e a sua relação com outros inteletuais e músicos da época, conseguiu formar uma colecão de cantigas  e melodias muito ricas que nunca foram publicadas na sua integridade e que agora vêem a luz numa exaustiva edição do historiador José Luís do Pico Orjais e da intérprete e investigadora Isabel Rei.

Uma publicação muito completa com uma ampla contextualização histórica e material gráfico, assim como as partituras originais e uma transcrição moderna das mesmas, editada em Dos Acordes de parceria com a aCentral Folque e a AGLP.

Marcial Valladares (1821-1903) foi jornalista, poeta, novelista e lexicógrafo galego. Autor do famoso Diccionario gallego-castellano (1884) com 11.000 entradas que recolheu entre 1850 e 1884, ao que incorporou como referência 240 cantigas e 460 textos em prosa, na sua maioria literatura popular. No ano 1970 a Real Academia Galega dedicou-lhe o "Dia das Letras Galegas". O 'Senhor de Vilancosta' foi, sem dúvida, um dos escritores mais prolíficos do Rexurdimento. Como novelista foi o primeiro em publicar em galego (Maxina ou a filla espúrea), obra inicial da narrativa galega.

José Luís do Pico Orjais, é mestre, músico e historiador. Foi Professor de Teoria e Método do Conservatório Folque de Lalim, fundador do grupo Leixaprén e membro habitual do grupo de Maria Manuela. Autor de numerosas conferências sobre o folclore, tem publicado diferentes artigos em revistas especializadas sobre património musical e historiografia dos cancioneiros galegos, tendo publicado a edição crítica do cancioneiro de Inzenga.

Isabel Rei Sanmartim é professora de guitarra no Conservatório Superior de Música de Santiago de Compostela. Intérprete profissional e internacional (Bélgica, Alemanha, Itália, Portugal...) e ganhadora de numerosos prémios para o seu instrumento. É académica da Academia Galega da Língua Portuguesa, fazendo parte da sua Comissão Executiva.

Apresentação na Feira do Livro de Vigo

Ângelo Cristóvão, Miguel Cupeiro e Alexandre Banhos
na Feira do Livro de Vigo

Na segunda-feira, dia 13 de julho de 2009, decorreu na Feira do Livro de Vigo a quinta apresentação do livro Galiza: Língua e Sociedade, editado pela Academia Galega da Língua Portuguesa, e promovido pela Associação de Amizade Galiza -Portugal.

Apresentados por Alexandre Banhos Campo, sócio da Ass. Cultural Pró AGLP, intervieram como oradores os co-autores do livro Miguel Cupeiro Frade, linguista e professor de português e Ângelo Cristóvão Angueira, empresário, presidente da Ass. Cultural Pró AGLP e académico da AGLP.

Depois da excelente apresentação do livro por parte de Miguel Cupeiro e dos comentários breves a respeito do seu artigo, Ângelo Cristóvão explicou também os temas dos seus artigos, facto que o levou a expor os objetivos da Academia e os motivos da sua criação. Depois das exposições, o numeroso, variado e atento público realizou várias perguntas que, para além da atenção colocada nos discursos, evidenciavam um certo, mas natural, desconhecimento do projeto da Academia e do reintegracionismo em geral que foi eficazmente resolvido pelos oradores.

Finalmente venderam-se exemplares do livro e várias pessoas solicitaram mais informação sobre a nossa Academia.

Queremos agradecer aos organizadores da Feira do Livro a sua atenção e disponibilidade, assim como à livraria Andel, em que se pode adquirir o livro ao preço de 15 euros, pela amabilidade com que fomos tratados e o apoio que deles temos recebido.

Apresentação na Feira do Livro de Vigo

quarta-feira, 08 julho 2009 23:12

AGLP foi apresentada em Bruxelas

Ernesto Vázquez Souza, Concha Rousia e Carlos DurãoAna Miranda recebeu a delegação da Academia Galega no Parlamento Europeu

Carlos Durão - Nos dias 4 a 6 passados, a Academia Galega da Língua Portuguesa desenvolveu em Bruxelas diversas atividades, culturais e de relacionamento com o Parlamento Europeu. Iniciaram-se com a apresentação do livro “Galiza: língua e sociedade”, primeiro anexo do Boletim no. 1 da AGLP, na livraria Orfeu, no dia 4 à tarde.

A livraria Orfeu está especializada no livro português e galego, e é regentada por Joaquim Pinto da Silva, «galego do sul», como ele gosta de se chamar, e como assim é, pois este grande amigo da Galiza leva a vias de prática os melhores ideais duma Portugaliza sonhada.

Na apresentação participaram, além dos três académicos Concha Rousia, Ernesto Vázquez Souza e Carlos Durão (nesta ordem), a deputada do BNG no PE Ana Miranda e o próprio Joaquim Pinto da Silva.

Ernesto Vázquez Souza, Concha Rousia e Carlos Durão com Joaquim Pinto da Silva

Ernesto Vázquez Souza, Concha Rousia e Carlos Durão
com Joaquim Pinto da Silva na Livraria Orfeu

Joaquim iniciou o ato com uma introdução necessária do livro e da AGLP para o público ali reunido. Disse que era mágoa não se ter convocado o ato para a volta das férias, de maneira que pudessem assistir mais pessoas. Mas ainda assim podiam-se contar umas 20, ao todo, entre elas um timorense (que não falou, mas que tomava muitas notas), vários funcionários portugueses do PE, colegas galegos, etc.

Referiu-se também o Joaquim à comunidade de fundo entre os povos de aquém e além Minho (em ambos os sentidos), nunca tronçada ao longo da história apesar da fronteira política traçada entre os dous Estados por cima da realidade que a transcende: a raia não é fronteira.

A seguir Ana Miranda falou de o galego ser a forma do português na Galiza, que tem pleno direito a ser usado no PE, o que tem o precedente dos deputados Camilo Nogueira e José Posada que, falando cada um com o seu sotaque, foram interpretados nas cabinas de português, ficando assim registadas as suas intervenções no livro das Atas na nossa língua internacional.

Concha explicou a génese da AGLP, desde os Colóquios de Bragança e antes, com as propostas de Ricardo Carvalho Calero e Martinho Montero Santalha, e deixou claro que ela falava no seu galego do norte da raia, que é comum com o do sul, numa zona do interior com caraterísticas próprias que a diferenciam do resto da Galiza e de Portugal. Também falou do Couto Misto, e da naturalidade com que as gentes de ambos lados da raia se relacionam sem repararem em se são do N ou do S.

Ernesto apresentou as produções e os projetos da AGLP, como o Boletim, o DVD da inauguração e o Léxico da Galiza para ser integrado no Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa. E disse-nos que a Galiza não vai perder o seu carácter pelo que irá a acontecer nos próximos anos, pois durante pelo menos os derradeiros 5.000 anos vem reproduzindo a sua forte identidade num habitat fortemente humanizado. Ah!, e lembrou-lhe aos portugueses que a palavra “pedra” não é particularmente lusa nem brasileira, mas... galega! O humor não impediu, antes ajudou a partilhar connosco a sua erudição.

Eu fiz um percorrido pelos ensaios do livro objeto da apresentação, procurando dizer algo informativo sobre os autores e o conteúdo para um público não galego. Cá e lá fazia excursos explicativos para arredondar alguma ideia do reintegracionismo, sempre pensando nos que se achegam à problemática desde as coordenadas de quem não tem questionada a sua identidade linguística e acha difícil entender a nossa urgência.

No colóquio intervieram tradutores e funcionários portugueses do PE; o ambiente foi-se animando até abranger a maior parte do público (incluídos Miro Momán e Suso Requena), com todos nós, que tocamos afinal todos os temas fundamentais da nossa problemática: o acosso não declarado do Estado Espanhol (denominado Reino de España) à língua própria da Galiza, a Constituição Espanhola, propositadamente desigual para as línguas estatais, a trajetória da sociolinguística galega nos derradeiros 30 anos (a começar pelo próprio editor do livro apresentado, António Gil Hernández), a justificação para se fundar a AGLP como entidade galega cívica, orientadora da língua nacional da Galiza, etc.

Momentos de conversas

Momentos de conversa

No remate veio à baila a utilidade ou não das línguas ditas menos extensas: o pano de fundo era se não seria melhor sacrificar o uso de línguas oficiais como o gaélico ou o maltês (entre as 23 do PE) em benefício do inglês, para poupar os custos de tradução cada vez maiores.

A seguir assinamos exemplares do livro, e do Boletim, que o Joaquim já tinha na sua livraria (como também o DVD, trípticos da Pró-AGLP, e ainda o Léxico da Galiza, que lhe foi presenteado).

O ato resultou muito positivo, não só para a AGLP, mas também para a valente livraria Orfeu, onde se vêm realizando desde há muito tempo atos deste tipo, palestras, concertos, etc., num quadro geral galego-português (alguns nomes: José L. Fontenla, Fernando Venâncio, César Varela, Isabel Rei).

O outro alvo da visita da AGLP a Bruxelas era o relacionamento com o PE. Mas o domingo, 5, passamo-lo em visitas à cidade ou, no meu caso, acolhido à generosa hospitalidade do Joaquim e a sua esposa; com eles tive tempo para tratar os temas “galécios” muito queridos para nós, e falarmos de atividades e projetos.

Com eles fui convidado ao lar doutro “galego do sul”, neste caso do Barroso, e ali pude escuitar uma fala bem galega, até com a adversativa “pero”, assim pronunciada, paroxítona, que os dicionários portugueses dão como antiga ou arcaica. E falava-se da raia, do Couto Misto, de Lôvios e Entrimo, do Ginzo, como de lugares que estavam aí à mão.

O facto de a casa do Joaquim estar situada nos arredores de Bruxelas, na zona flamenga, deu-nos pé para refletir na imersão total na língua própria, levada a cabo até com beligerância, dita intransigente, pelos francófonos; mas é difícil ver-se uma alternativa para os flamengos manterem a sua identidade (como não fosse a independência). Dá que pensar para nós.

Reunimo-nos em fim, à tardinha, com o grupo galego, ao que se somou Xavier Queipo. E com Ana combinamos a visita ao PE no dia seguinte.

No Parlamento Europeu com Ana Miranda

No Parlamento Europeu com Ana Miranda

Na segunda, 6, fomos ao PE com Ana; entramos no moderno edifício, onde tivemos que nos deixar retratar por uma câmara automática, para se fazer uns passes que nos identificassem cada vez que havia que passar um controlo automático.

Ana mostrou-nos as confortáveis dependências do “nosso” parlamento, na “nossa” capital. Retratamo-nos na tribuna do grande auditório das sessões solenes. Conversamos sobre questões linguísticas e outras. Continua a ser possível seguir o precedente do Camilo no PE de empregar ali a nossa língua. Mais uma vez, constatamos a “inveja” dos deputados bascos e catalães, que não têm essa opção e que não entendem como é que as instituições galegas não a aproveitam.

Jantamos todos, junto com o Joaquim (que voltara do seu escritório no PE, onde trabalha), no refeitório do local. Ele mencionou que seria útil divulgar mais em Portugal a história da língua comum, a origem e o nome, porquê ela, nada na Galécia, chegou a se conhecer internacionalmente como português, etc.

Em fim, entrando já a tarde, chegou a hora das despedidas; todos um pouco saudosos, mas muito gratos pela amabilidade da Ana Miranda, com quem prometemos manter o contato no futuro.

Concluímos que a AGLP é levada a sério nas instituições europeias, que tem um grande amigo no portuense Joaquim, e que representa um grande valor para a sociedade galega e a Galiza.

Galiza: Língua e SociedadeO livro Galiza: Língua e Sociedade, editado pela AGLP, será apresentado nas Feiras do Livro de Vigo e da Crunha, em Moanha e também no FESTIGAL de Compostela.

Está prevista a participação de diversos académicos e académicas assim como membros da Associação Cultural Pró AGLP.

Feira do Livro de Vigo: dia 13 de julho, segunda-feira, às 19.30h.

Com a participação de Ângelo Cristóvão Angueira, Miguel Cupeiro Frade e Alexandre Banhos Campo.

FESTIGAL: dia 24 de julho, sexta-feira, às 16.30h.

Com a participação de Concha Rousia, Luís G. Blasco (Foz) e Isabel Rei Sanmartim

Livraria "O Pontillón" de Moanha: dia 24 de julho, sexta-feira, às 21h.

Com a participação de Ângelo Cristóvão Angueira, Miguel Cupeiro Frade e Isabel Rei Sanmartim

Feira do Livro da Crunha: dia 10 de agosto, segunda-feira, às 20.30h.

Com a participação de António Gil Hernández, Ernesto Vázquez Souza e Fernando Vázquez Corredoira.

O livro Galiza: Língua e Sociedade pode adquirir-se já nas livrarias Couceiro (Compostela e A Crunha), Andel (Vigo), Torga (Ourense). E em breve na Pedreira (Compostela) e em O Pontillón (Moanha).

Também pode consultar-se gratuitamente, junto com as outras publicações da Academia Galega, nas bibliotecas dos Centros Sociais da Gentalha do Pichel (Compostela), d'A Esmorga (Ourense) e da Fundaçom Artábria (Ferrol).

Mais info:

quinta-feira, 02 julho 2009 01:01

"Galiza: Língua e Sociedade" em Bruxelas

GALIZA: Língua e SociedadeA Livraria Orfeu de Bruxelas, especializada em livro português e galego, ofereceu o seu espaço nessa capital europeia para a presentação da última publicação da AGLP, Galiza: Língua e Sociedade.

O ato decorrerá o dia 4 de julho de 2009, às 18 horas. Estarão presentes os académicos Carlos Durão e Ernesto Vázquez Souza, co-autores do livro, e a académica Concha Rousia, escritora e psicoterapeuta, que realizarão a apresentação de outras publicações da AGLP.

Orfeu, livraria portuguesa e galega
Willem de Zwijgerstraat, 43, Rue du Taciturne
B-1000 BRUSSEL/BRUXELLES
België/Belgique
Tel/Fax: +32 (0)2 735 00 77 | Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. | www.orfeu.net

Galiza: Língua e SociedadeLéxico da GalizaTambém se dará conta do Léxico da Galiza para ser integrado no Vocabulário Comum da Língua Portuguesa

Apresentação do livro Galiza: Língua e Sociedade (XIV ensaios), Anexo do Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa 1, na Livraria Couceira (Praça do Livro), na Crunha, agendada para quinta-feira, dia 18 de junho, às 20h30.

Intervirão Celso Álvarez Cáccamo, moderador do ato; Fernando Vasques Corredoira, Mário Herrero Valeiro e António Gil Hernández, co-autores da obra.

Também se dará conta do Léxico da Galiza para ser integrado no Vocabulário Comum da Língua Portuguesa, apresentado, junto do Vocabulário da Academia Brasileira de Letras, na sessão solene realizada na Academia das Ciências de Lisboa em 14 de abril passado.

Agradecemos a assistência e participação.

GALIZA: Língua e SociedadeO Anexo do Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa 1 será apresentado em Ourense

A apresentação decorrerá o dia 17 de junho, às 20 horas, na Livraria Torga de Ourense. Intervirão os membros da Academia Galega Ângelo Cristóvão, sociolinguista e empresário, secretário da AGLP; António Gil Hernández, sociolinguista e professor de ensino secundário, secretário da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da AGLP que elaborou o provisório Léxico da Galiza para ser integrado no Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa; e Concha Rousia, escritora e terapeuta, membro da Executiva da AGLP.

O evento contará com a moderação de Francisco Paradelo Rodrigues, humorista gráfico e ativista social, membro da Junta Diretiva da Associação Cultural Pró Academia Galega da Língua Portuguesa

Todos os ourensãos e ourensãs estão convidadas a assistir a esta apresentação em que se tratarão diversos aspetos nomeados no livro Galiza: Língua e Sociedade.

Joám Trilho, Isabel Rei, Concha Rousia, José-Martinho Montero Santalha, Isaac A. Estraviz e Ângelo Cristóvão

Na sessão constituinte da Academia Galega da Língua Portuguesa, realizada o passado sábado dia 20 de setembro de 2008, o pleno elegeu a sua Comissão Executiva com os seguintes cargos:

Presidente: José-Martinho Montero Santalha

Vice-Presidente: Isaac Alonso Estraviz

Secretário: Ângelo Cristóvão Angueira

Vice-Secretária: Concha Roussia

Tesoureira: Isabel Rei Sanmartim

Arquiveiro-Bibliotecário: Joám Trillo

Academia GalegaAssembleia da Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa

A Associação Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa celebra neste sábado em Compostela, no Centro Galego de Arte Contemporánea, a partir das 11h00, a sua assembleia de sócios e sócias para estabelecer um novo marco da sua actividade, cujo culme será a constituição da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP).

Por volta das 13h00 está previsto o acto formal de consituição da AGLP, com a presença de todos os académicos fundadores e a eleição de cargos (presidência, secretaria, tesouraria, arquivo e vice-secretaria).

A AGLP é o fruto de um intenso trabalho iniciado com a constituição da associação em 1º de dezembro de 2007, dia da Restauração da Independência e aniversário do primeiro ato da Nunca Mais, com a vocação de dar apoios à futura Academia Galega, apresentada como repto pelo Prof. Martinho Montero Santalha no V Colóquio Anual da Lusofonia de 2007 em Bragança.

Anteriormente à nossa constituição, já tínhamos recebido os apoios dos académicos Prof. Evanildo Bechara (ABL) e Prof. Malaca Casteleiro (ACL) em Compostela durante as conferências pela Comissão Promotora da AGLP.

Em abril deste ano pudemos participar no Parlamento português na Conferência Internacional sobre o acordo ortográfico expondo a posição galega e a futura constituição da AGLP junto com as Entidades Lusófonas Galegas (AAG-P, AGAL, ASPG-P e MDL).

Fruto do intenso trabalho, não só deste último ano, e dos apoios explícitos das Entidades Lusófonas Galegas e internacionais, podemos anunciar que um novo marco terá lugar na vindoura assembleia com a constituição da Academia Galega da Língua Portuguesa. 

Mais info:

Ângelo Cristóvão na Assembleia da República

Ângelo Cristóvão, representante da Associação Pró Academia,
na Conferência Internacional/Audição Parlamentar sobre o AO

Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República, Ex.mos Sres. Adriano Moreira, Presidente da Academia das Ciências de Lisboa, e Evanildo Bechara, representante da Academia Brasileira de Letras; Digníssimo representante do Governo de São Tomé e Príncipe, Digníssima representante da CPLP, Senhoras e Senhores deputados, prezados intervenientes nesta conferência sobre o Acordo Ortográfico,

Permitam-me em primeiro lugar agradecer, em nome da Associação Pró Academia Galega da Língua Portuguesa, o convite para esta Conferência Internacional, manifestar o meu respeito por todas as opiniões aqui apresentadas, e saudar a intervenção do meu compatriota Alexandre Banhos, que explica a posição institucional das Entidades Lusófonas Galegas, de que somos co-partícipes.

Na Galiza existe, há décadas, um movimento cívico e cultural de influência crescente conhecido como Reintegracionismo cujos integrantes trabalham, em diversos campos, por integrar as falas da Galiza no Português escrito universal. A produção escrita no português da Galiza aumenta sem pausa desde a década de 70, e está a atingir sucesso nos âmbitos literários, nos estudos da língua histórica ou da sociologia da linguagem, com autores como Martinho Montero, Gil Hernández, Xavier Vilhar ou Concha Rousia, entre outros galegos presentes nesta nobre sala. São contributos que merecem alguma atenção e que, apesar do seu reduzido número, nos permitem comparecer no espaço lusófono com conteúdos próprios.

Um forte sentimento e consciência cívica de pertença à lusofonia está a tornar-se geral no mundo da cultura da Galiza. Neste contexto, os galegos aspiramos a contar também com uma instituição congénere das Academias Portuguesa das Ciências e Brasileira de Letras.

Confiamos em que a Academia Galega da Língua Portuguesa realize a sessão constituinte nos próximos meses na capital da Galiza. Será entidade que assuma a mais longa e genuína tradição galega que representaram vultos como Manuel Murguia e Lugris Freire, Guerra da Cal e Carvalho Calero, Rodrigues Lapa e de Lindley Cintra, que consideravam as falas galegas e as portuguesas setentrionais fazerem parte dum “continuum” nortenho da língua portuguesa, reconhecível por traços caraterizadores face às outras variedades ortoépicas da língua comum.

A nossa Academia, que nasce por iniciativa da sociedade civil com vocação de serviço público, tenta ser uma instituição científica independente dos governos e das suas circunstâncias, que concentre os seus estudos na língua portuguesa da Galiza com critérios de rigor científico e vontade de abertura às diferentes sensibilidades existentes na sociedade. Nesta linha e, atendendo às circunstâncias históricas em que nos desenvolvemos, parece conveniente orientar os esforços dos primeiros anos num sentido mais prospectivo e divulgador do que normativo.

É sabido que as línguas mantêm a sua unidade, principalmente, através de uma ortografia, que permite a realização de diferentes ortofonias. Este é um valor que apreciamos especialmente na Galiza, onde temos o exemplo da língua castelhana, caso em que as decisões em matéria de norma linguística são adotadas conjuntamente por todas as academias da língua, e editadas em textos comuns. Belo exemplo digno de considerarmos. Portanto, a Academia Galega da Língua Portuguesa não deveria ter como objetivo constituir uma terceira norma para a escrita, depois da lusitana e a brasileira. O português galego reflete, em qualquer caso, os nossos traços caraterísticos, nomeadamente no léxico e na pronúncia, a cuja sigularidade deverão habituar-se os lusófonos em geral.

A decisão do governo português, o passado dia 6 de Março, ratificando o segundo protocolo modificativo, dá continuidade a um processo de unidade em que os galegos estivemos presentes já há 50 anos com o professor Guerra da Cal. A adesão da Galiza aos Acordos data de meados da década de 1980, por meio da Comissão Galega do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, cujo Presidente de Honra fora o próprio Guerra da Cal. Foi por intermédio do professor Isaac Estraviz e da ONG galega Irmandades da Fala da Galiza e Portugal que uma delegação observadora foi convidada às sessões de debate do Acordo no Rio de Janeiro em 1986 (da Ortografia Simplificada), e depois em Lisboa, em 1990 (da Ortografia Unificada). O comunicado que, em nome dos Estados lusófonos, anunciava o Acordo de 1990, citava: “... a participação de uma delegação de observadores da Galiza…” ; frase que se repetiu em 1991 na publicação no Diário da República.

O Acordo Ortográfico foi promovido e redigido em função dos parâmetros e condições do português como língua nacional, no sentido que adquiriu na Europa desde a Revolução Francesa.

A Base IV estabelece a «pronúncia culta» como único critério para a supressão ou manutenção da representação gráfica de algumas sequências consonânticas. Este critério é de difícil aplicação nos países em que o português se acha interferido por outra língua, onde não está conformada uma norma culta, como é o caso da Galiza, e em vários países africanos de expressão portuguesa, em que tem a condição de língua co-oficial.

Admitir o critério da pronúncia galega popular como culta seria muito questionável e, dado o emudecimento quase absoluto das consoantes referidas no português popular falado na Galiza, poderia levar-nos à sua supressão generalizada na escrita. Portanto, um segundo critério deve ser considerado.

Idealmente, optaríamos pela manutenção da etimologia. Na prática, entendemos que as soluções lusitanas resultam mais apropriadas, atendendo ao facto de a circulação de produtos culturais em língua portuguesa, na Galiza, estar a realizar-se com edições produzidas na República Portuguesa.

Quando a divulgação das mudanças ortográficas for generalizada na população, o que poderá acontecer em poucos anos, um segundo nível de atuação deveria receber a nossa atenção. Trata-se das divergências na terminologia técnico-científica entre o português do Brasil e o de Portugal, que deveria preocupar-nos a todos e ser objeto de uma política de língua de consenso.

Muito obrigado pela vossa atenção.

Intervenção de Ângelo Cristóvão

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