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Info Atualidade (358)

Capa de Traditional Marking Systems: A Preliminary Survey

Co-editado pelo académico Joám Evans Pim, conta com o apoio da AGLP

 Acaba de vir a lume o volume "Traditional Marking Systems: A Preliminary Survey," editado por Joám Evans Pim, académico da AGLP, junto com Sergey A. Yatsenko e Oliver T. Perrin. Trata-se de um volume coletivo, de mais de uma vintena de autores, que examina, desde vários pontos de vista e desde os tempos mais remotos, o fenómeno das marcas, aqui denominadas tamgas, nas comunidades humanas do passado, mas também do presente.

A edição do volume conta com o apoio da Academia Galega da Língua Portuguesa (menção que consta nos créditos) e irá servir como base para um estudo maior centrado na Galiza.

No volume participam com os seus trabalhos os seguintes autores: Gaybulla Babayarov, Catherine Baroin, Chandreyi Basu, Napil Bazylkhan, Sir John Boardman, Alexey V. Chernetsov, Jean-Pierre Digard, Joám Evans Pim, Murtazali S. Gadjiev, Imre Gráfik, Paul Harthoorn, Sinclair Hood, Caroline Humphrey, Jangar Ilyasov, Domenico Isabella, Étienne Landais, Osman Mert, Boris N. Morozov, Samat K. Samashev, Zainolla S. Samashev, Rem A. Simonov, Tuve Skånberg, Takashi Osawa, Mehmet Tezcan, Oliver Timken Perrin e Anton C. Zeven.

Os ditos trabalhos percorrem diversos aspetos da marcação nas comunidades humanas de vários continentes. O volume leva inúmeras ilustrações, debuxos, fotos, imagens, sinais para tratamento informatizado etc., e desprega toda a moderna investigação e erudição dos autores.

As investigações publicadas visam provocar no leitor inúmeras reflexões. Estas reflexões revelam-se muito esclarecedoras quando consideramos que até o próprio conceito de sociedade está em questão desde há bastante tempo entre certos poderosíssimos grupos dominantes à escala planetária e esse poder serve-se em muitos casos de uma marcação dissimuladamente moderna, e até pós-moderna e supostamente libertadora.

O livro pode ser adquirido ao preço de 11.89 euros através da internet aqui.

José-Martinho Montero Santalha, presidente da AGLP, participou no evento
com a leitura do poema "A palavra de Dom Ricardo Carvalho Calero"

 AGLP / PGL (*)- O centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero, vulto principal do reintegracionismo e Membro de Honra da Associaçom Galega da Língua, está a mobilizar pessoas de sensibilidades muito diferentes, de toda a Galiza e mesmo do exterior, que reivindicam a atualidade do seu legado. O ato central aconteceu o sábado em Compostela, no passado dia 30 de outubro de 2010, com o descerramento de uma estátua na sua honra.

A estátua foi colocada muito perto da casa da rua Carreira do Conde, onde o professor Carvalho Calero residiu os últimos anos da vida; e do liceu Rosalia de Castro e da que foi sede da Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela, na Praça de Maçarelos, onde exerceu a docência de língua e literatura, sendo titular da primeira cadeira universitária.

O monumento foi promocionado pola Fundaçom Meendinho, que solicitou contributos populares e de diferentes entidades e instituiçons. O principal foi da associação de empresários graniteiros do Porrinho, que cedeu a base, de Rosa Porrinho, sobre a que repousa a estátua, elaborada polo escultor José Molares, quem estava também presente.

AGLP no evento

José-Martinho Montero Santalha, como presidente da AGLP, qualificou o ato de homenagem como "de justiça à memória do mestre Ricardo Carvalho Calero", de quem destacou a defesa da língua e o estudo da nossa literatura. Leu o seguinte poema de homenagem, intitulado "A palavra de Dom Ricardo Carvalho Calero":

Dom Ricardo Carvalho Calero, voz amiga,
que ecoa na folhagem da carvalheira antiga:

por palavras de sábio, por exemplo de mestre,
transforma num milagre a Galiza silvestre,

e na terra queimada faz renascer as flores,
e nos corações limpos arder velhos amores.

Com ciência e com carinho, sem maltrato nem míngua,
orquestra um cantar novo na nossa velha língua.

E ressoa a mensagem que vem de antigas eras,
mas que leva guardadas outras mil primaveras.

Viva o fruto da ciência, do amor e do trabalho,
viva a palavra viva do professor Carvalho!

Oradores

O ato foi apresentado por Margarida Martins, da Fundaçom Meendinho. Na continuação participaram diversos oradores, em representação de instituições e entidades diversas: Javier Garbayo e Manuel Fernández Iglésias, vice-reitores das universidades de Santiago de Compostela e Vigo; Maria Pilar García Negro, do Departamento de Galego-Português da universidade da Corunha; José-Martinho Montero Santalha, como presidente da AGLP; José Paz, como presidente da ASPG-P; Valentim Rodrigues Fagim, presidente da AGAL; Guadalupe Rodríguez, vereadora do Concelho de Santiago; Elvira Cienfuegos, também representante do Governo Municipal de Compostela; Margarida Carballo Calero, filha do homenageado; Ramiro Parracho Oubiña, secretário confederal da CIG; Alexandre Banhos, como presidente da Fundaçom Meendinho.

Descerramento e hino galego

Na continuação aconteceu o descerramento da estátua, um magnífico monumento de bronze de José Molares, como ficou assinalado.

Na base, no frente, além do nome de Ricardo Carvalho Calero constam “Ferrol. 30.10.1910” e “Santiago de Compostela. 25.03.1990”, como referência às cidades e datas em que nasceu e morreu, respectivamente.

Na esquerda constam, por esta ordem, a Fundaçom Meendinho, Universidades Galegas, AGLP, AGAL, ASPG-P, CIG e Achegas Populares, para lembrar as diferentes contribuiçons para poder erigir este monumento.

E na direita, a inscrição da seguinte frase:

A fala da Galiza, o português de Portugal, o português do Brasil e os portugueses dos distintos territórios lusófonos formam um único diassistema lingüístico conhecido entre nós popularmente como Galego e internacionalmente como Português.

Encerrou-se a homenagem com a interpretação do Hino Galego por gaiteiros da Gentalha do Pichel.

Participantes

Para além das pessoas já assinaladas, participaram no acto outras que se deslocaram desde diferentes cidades, vilas e lugares da Galiza e da própria comarca de Compostela. Entre elas José Luís Rodríguez, Isaac Alonso Estraviz, Bernardo Penabade, Luís Gonçales Blasco, Ana Pontón, Carme Fernández Pérez-Sanjulián, Manuela Ribeira Cascudo, Anxo Louzao, Rubén Cela, Artur Alonso Novelhe, José Manuel Barbosa, Concha Rousia, Ana Cabanas, Ramom Reimunde, outros familiares de Carvalho Calero, e umha ampla representação da comunicação social.

(*) Extrato da crónica publicada pelo PGL.

segunda-feira, 22 novembro 2010 02:00

Conversações sobre o galego e o português

Com a participação de José-Martinho Montero Santalha, presidente da AGLP

AGLP / PGL - O Centro de Estudos Brasileiros, em colaboração com a Academia Brasileira de Letras, organiza na próxima terça-feira, dia 23 de novembro, entre 17:00 e 20:00 horas, um seminário com o título "Conversações sobre o galego e o português: a criação literária nas duas línguas". O evento terá lugar no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca (Palácio de Maldonado, Plaza de San Benito, 1).

Sob a coordenação de Ángel Marcos de Dios, catedrático de Filologia Moderna da USAL, nas conversas participarão José Luís Rodrigues, catedrático de Língua Portuguesa da Universidade de Santiago de Compostela e membro da Comissom Lingüística da AGAL; Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras; e José-Martinho Montero Santalha, presidente da Academia Galega de Língua Portuguesa.

José Luís Rodrigues apresentará a comunicação "Galego/português: encontros, desencontros, reencontros", Evanildo Bechara falará sobre "Os Estudos da Língua Portuguesa na ABL", e José-Martinho Montero Santalha intervirá com uma exposição subordinada ao título "O galego: o português da Galiza. Uma visão do galego como parte da lusofonia".

É possível assitir à atividade ao vivo pela internet através do canal de TV do CEB. A entrada é livre até completar a lotação.

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Ficará aberta ao público até 31 de dezembro

PGL Portugal - Santiago de Compostela é a quinta paragem da exposição fotográfica “Bemposta on the Road”, da autoria de Bruno Melão, que interpretou a visão da Associação Domvs Egitanae e da revista Raia Diplomática para a aldeia da Bemposta do Campo (Penamacor).

A exposição tem o apoio da AGAL , da Academia Galega da Língua Portuguesa, da Gentalha do Pichel e do Instituto Cultural Brasil-Galiza, e chega à Galiza depois de Londres, Helsínquia, Tallin e Tartu. O público que se achegar terá a oportunidade de ver as cenas do dia-a-dia da única aldeia histórica do concelho de Penamacor que curiosamente no presente ano está a celebrar os 500 anos do seu foral, pois possuiu por mais de três séculos (1510-1836) a sua autonomia política e judicial, o que lhe permitiu prosperar e ter um estatuto importante na região. Na Idade Média foi uma Comenda da Ordem dos Templários e era uma das Torres de Vigia nas guerras contra Castela.

A exposição será inaugurada a 23 de novembro, às 20 horas, no pub Modus Vivendi (Praça de Feijóo n.º 1, Compostela), e ficará aberta ao público até 31 de dezembro. No ato inaugural estarão Bruno Caldeira, diretor da Raia Diplomática; Martinho Montero Santalha, presidente da AGLP; 'Toko', do Modus Vivendi; e Octávio Sousa Lima, vice-cônsul de Portugal na Galiza.

terça-feira, 16 novembro 2010 02:00

Entrega do Prémio Meendinho 2010

Academia Galega da Língua Portuguesa foi a entidade galardoada

PGL - No passado dia 17 de maio a Fundaçom Meendinho adjudicou o Prémio Meendinho 2010 à Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), de acordo com as bases do mesmo que assinalam que vai destinado "para pessoas e/ou instituições que se tenham destacado na defesa ativa da língua e da cultura da Galiza, e na sua projeção no espaço da Lusofonia".

A decisão foi tomada por unanimidade do seu padroado, salientando que a AGLP "na sua curta, porém intensa vida, colocou a Galiza e a sua língua, institucionalmente no espaço acadêmico lusófono, e fez o contributo -do vocabulário específico galego- aos vocabulários e dicionários de referência no âmbito internacional da língua".

No dia 30 de outubro, data de tanto significado, centésimo de Ricardo Carvalho Calero e nonagésimo da revista Nós, num ato emocionante e cheio de bom sabor e grata companha, a Fundaçom Meendinho procedeu a entrega do Premio anual Meendinho de 2010 à AGLP. O prémio foi recolhido pelo presidente dessa instituição, o catedrático José-Martinho Montero Santalha.

quinta-feira, 18 novembro 2010 02:00

Reestreia da ópera galega 'O Mariscal'

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Sob a direção do académico da AGLP Joám Trilho

 AGLP / PGL - Joám Trilho, dirigindo a Orquestra Sinfónica da Galiza, interpreta hoje em Vigo no auditório da Caixa Nova, e amanhã na Crunha no Teatro Colón (às 20h30), a ópera galega O Mariscal. Teresa Novoa, soprano; Javier Franco, barítono; Pablo Carballido, tenor.

A obra é de Ramom Cabanilhas e Ramom Vilar Ponte (letra), e partitura de Eduardo Rodríguez Losada, com edição atual de Joám Trilho, académico da AGLP e membro da sua Comissão Executiva. Estreada no ano 1929 em Vigo no Teatro Tamberlic, regressa da mão do "Xacobeo Classics", sendo quase uma nova estreia, já que não há registo de outra interpretação em 81 anos.

A obra representa um drama da história do país, a luta da nobreza galega, na pessoa do Marechal Pardo de Cela, por manter a indepedência. O nobre foi decapitado em 1483 por não se submeter aos reis de Castela. Pode ser uma oportunidade para lembrar essa parte da história e aprendermos algo.

sexta-feira, 22 outubro 2010 14:10

Rachando o nevoeiro que nos torna invisíveis...

XIV Colóquio da Lusofonia

XIV Colóquio da Lusofonia, Bragança setembro-outubro de 2010

Concha Rousia (*) - Há nove anos que nasceram os Colóquios da Lusofonia; eu levo assistido aos três últimos em Bragança, e a outros três nos Açores e Brasil, e devo admitir que a cada vez pertenço mais a este território chamado Lusofonia.

Este ano os Colóquios abriram em Bragança o dia 27 de setembro, depois de o fazerem em Braga o dia 25 para inaugurar os Estudos de Açorianidade, e em Santiago de Compostela onde se celebrou o II Seminário de Lexicologia da AGLP.

No final da sessão de abertura desta XIV edição soou o hino dos Colóquios, dos que eu, junto da Isabel Rei e o Vasco Pereira da Costa somos autores. O nosso hino foi cantado pola assistência e pola extraordinária soprano Raquel Machado, tudo envolto nas notas do piano da Ana Paula Andrade, do Conservatório de Ponta Delgada; previamente Ana Paula e Raquel nos deleitaram com música tradicional.

Nesse mesmo dia ainda houve tempo para apresentações de publicações com os escritores Anabela Mimoso e Vasco Pereira da Costa, o editor Francisco Madruga, e eu, que apresentei o Boletim número 3 da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), o Cancioneiro de Marcial Valladares ‘Ayes de Mi País’, o Léxico da AGLP, o Galiza: Língua e Sociedade, e os Cantares Galegos de Rosalia de Castro, que é o primeiro volume dos Clássicos da Galiza editados polas Edições da Galiza e a AGLP. Foi para mim um privilégio ouvir os poemas de Rosalia nas vozes dos escritores Mário Moura e Vasco Pereira da Costa, com os que tive a honra de recitar.

Nos dias a seguir esta segunda-feira memorável, o Colóquio durou até o sábado dia 2, os participantes pudemos assistir às comunicações trazidas por professores e professoras, pesquisadores vindos desde Macau, Brasil, Malaca, França, Itália, Estados Unidos, e também Portugal continental e as ilhas Madeira e Açores, e a Galiza, de onde assistiram com comunicações, para além de mim, o Ângelo Cristóvão, o Luís Foz, o Alexandre Banhos e a Margarida Martins. Devo salientar a elevada qualidade científica das apresentações. Muito proveitosa foi a Sessão de Esclarecimento que teve lugar no dia 29 setembro com a Escola Secundária Miguel Torga, na que participamos os representares das três academias, junto dos escritores Anabela Mimoso e Vasco Pereira da Costa e o presidente dos Colóquios, o Dr. Chrys Chrystello. No final, fomos agraciados com a medalha comemorativa do centenário de Miguel Torga e um livro alusivo ao mesmo.

Salienta na memória a homenagem ao escritor convidado, Vasco Pereira da Costa, que começara com a declamação do poema Ode ao Boeing 747 em 11 das 14 línguas para que foi traduzido. Eu li a versão traduzida ao Castelhano, e descobri que em Portugal essa língua me mete menos medo, e Foz leu a traduzida ao Catalão... este original começo foi seguido da declamação, por parte de Chrys Chrystello e de mim mesma, de uma dúzia de poemas do homenageado. A noite concluiu com a voz do poeta Vasco Pereira da Costa que nos ofereceu a leitura dos seus poemas...

Se tivesse que resumir os Colóquios numa frase diria que é um espaço no que crescer, um lugar ao que pertencer, um lugar no que existir sendo apenas o que um é, um lugar onde um se pode permitir ser vulnerável porque um se acha entre irmãos de língua, um lugar para querer ser visível. Houve tempo para quase tudo, também para visitar o castelo e os vários museus da cidade.

E no final as despedidas, que são um ‘até o próximo Colóquio’ ...e a troca de cartões e de abraços... e a volta pola mesma estrada, que a mim não me parece a mesma da ida, quando vou me vai oferecendo mais e mais, e quando volto me vai roubando... tudo vai indo bem enquanto consigo apanhar a ‘Antena Dois’ ou a ‘Rádio Brigantina...’ ora aos poucos começam a aparecer mais e mais as ondas castelhanas das rádios que infestam o nosso país e eu desligo a rádio para, em silêncio, continuar a morar na Lusofonia até chegar a Compostela. Imaginando o tempo que terá que passar até o Colóquio XV que será em Macau na primavera deste mesmo ano... Carregada de forças, de saúde de língua, e de irmandade lusófona, que leva o nosso nome daqui aos quatro cantos do mundo...

P.S. Quando acabei de escrever esta crónica, recebi uma mensagem amiga que vinha confirmar a nossa visibilidade na Lusofonia, visibilidade que a mim neste outono de nevoeiros que atravessamos na Terra me soube melhor do que o pão, é foi por isso que decidi incluí-la como parte da própria crónica, por isso e também para honrar a pessoa que ma enviou:

"No outro dia, numas imagens que passaram no noticiário da SIC sobre o colóquio da lusofonia em Bragança, lá estavas tu, sentada na plateia, em lugar de destaque na imagem. Depois deu para ouvir um pouco do Malaca Casteleiro. Mas, sobretudo, foi bom ver-te ali, representante da Galiza que fala a mesma língua que todos nós, da Corunha ao Rio e de Luanda a Díli."

Galeria Fotográfica no Picassa

(*) Académica, membro da Comissão Executiva da AGLP.

Crónicas do BrasilFoi um belo dia de abril
Do alto mar foi avistado.
Com um céu cor de anil
E logo ali ter ancorado.

Mário Osny Rosa, poeta catarinense

Isabel Rei (*) - E Florianópolis abriu-se para nós como flor insólita a crescer cara o atlântico. Era o Sol sobre as árvores e o calor do dia, a praia aproximava-se de nós devagarinho. Palmeiras e oficinas de mecânica olhavam-nos passar no autocarro da Comitiva dos Colóquios. À beira da estrada ficavam os telhados de palha e o ambiente tranquilo. Como o polvo no São Froilão, as ostras desfilavam nos cartazes dos restaurantes: Ostradamus, Ostras Coisas, Umas e Ostras, Maria vai com as ostras...

Havia ainda os ecos do trovão tropical que nos despediu no Rio e o cansaço da viagem, que cumulava já quatro voos: Manter o cinto atado enquanto estiver sentado, e assim rimando e voando, Use o assento para flutuar, salvávamos as distâncias entre Brasília e São Paulo, e entre São Paulo e Rio de Janeiro, e entre Rio de Janeiro e Santa Catarina, nosso último destino brasileiro da nossa primeira viagem ao Brasil.

Era 31 de março e fomos apresentar o Instituto Cultural Brasil-Galiza ao evento que para o caso tinham preparado no Instituto Federal de Santa Catarina, como já relatou Concha Rousia, à receção na Câmara de Vereadores da cidade e à Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). O 1 de abril foi a visita ao Ecomuseu açoriano do professor Nereu do Vale Pereira , em Ribeirão da Ilha, viagem de barco e suco de abacaxi, até o almoço no Pântano do Sul.

Em 2 de abril visitamos, também de barco, as fortalezas de Santa Catarina, antigas fortalezas europeias onde a força dos canões colonizadores controlava o litoral brasileiro. Em 3 de abril, Santo Antônio de Lisboa, uma das povoações mais antigas da Ilha de Santa Catarina, de comunidade pesqueira com açorianas ruas e casarios centenários.

Em 4 de abril, visita à Palhoça, com a receção da Câmara em que colaboraram os guarani do Morro dos Cavalos. Dia de chuva, de música guarani em casa açoriana, de colares de penas e vistosas cores. A descoberta da povoação originária, dos seus cabelos de seda, dos olhos de arco-íris nos rostos dignos e ainda estranhados da secular presença dos europeus. A maior expressão do guarani é a dança, disse o Xeramõi, o avô do povo guarani-mbyá, e parecia querer dançar com o pensamento.

Crónicas do Brasil

Em 5 de abril, sessão de esclarecimento na UFSC e visita ao Núcleo de Estudos Açorianos, onde pudemos comprovar outras dimensões da pegada açoriana na Ilha. E logo a seguir iniciaram-se as sessões do XIII Colóquio da Lusofonia, que ao mesmo tempo era o V Encontro Açoriano, a se realizar em Açorianópolis até o 9 de abril, organizados pelo camarada e professor Chrys Chrystello e colaboradores.

Explicava o professor Malaca que quando aprendemos uma palavra, aprendemos três cousas: a pronúncia, o significado e a grafia. E que por isso é tão difícil mudar de grafia. E explicava o professor Bechara que toda mudança de hábito provoca um momento de dúvida, reticência e aversão, mas que é natural e faz parte do processo de aprendizagem.

A Lagoa da Conceição, água doce quase a beijar a água salgada, foi testemunha das conversas com Rosângela e Márcia, do IPOL. E entanto o debate sobre a língua comum acontecia, muitas noites derramaram músicas de fado e de choro, melodias galegas e irlandesas, abraçando o pentagrama de geografias dos Bardos atlantes de aquém e além mar.

E, no fim, regressavam as galegas à sua terra de origem e de porvir, com um pedaço da Ilha da Fantasia prendido nos corações. No peito a lembrança dos guarani, guardiães dos espíritos celtas. Na boca o hino da Lusofonia, criado para sincronizar todas as vozes, e na frente o pensamento crescido já em mata atlântica, selvática, prolífica.

Volvíamos e já não éramos as que éramos. Connosco as frutas, as lagoas, as margens, as praias, os alentos, os sotaques, os abraços, os sorrisos, o mel, os livros prolongando o ronsel de lembranças sobre os morros e sobre as ondas. E sim, regressamos à Galiza, oceanos a nos concentrar na fonte primeira, em retorno eterno, alimentando a luz dos ciclos do tempo e a flor marinha dos prodígios.

~ ~ ~

Ainda em Lisboa ou já em Lisboa? Aguardando o voo para o Porto. Um instante solitário entanto o resto da Comitiva passeia pelos corredores, na alfândega ou na bagagem.

Estou já na Europa? Nas internacionais e monocromáticas paisagens dos aeroportos é difícil sabê-lo. Mantenho nos ouvidos todas as cores da língua, que já domino sem pensar. Percebo a amabilidade do catarinense, o humor do açoriano, a sentença da lisboeta, a confiança do transmontano. A modernidade da paulista, a singeleza do moçambicano. Fiquei com inveja da carioca mas foi por não ter tempo para percorrer Copacabana, e depois Ipanema, que se alongavam, mimosas, na costa do Pão de Açúcar.

Todos esses galegos vivem já em mim. Ressoam, crescem e saem-me pela boca porque já estou neles, como estou na rianjeira ou no queijo de Arçua. Como estamos na água do mar que nos banha e, ao tempo, lambe as areias tropicais e subtropicais dos galegos do Ibrasil.

Galeria fotográfica no Picassa

(*) Académica, membro da Comissão Executiva da AGLP.

quarta-feira, 06 outubro 2010 19:57

AGLP apresenta o Portulano de Recursos em linha

Survival Kit

A maior das dependências culturais estriba na imagem do mundo que nos dão trilhado, e que acompanhamos sem questionar

Os galegos falamos há décadas das possibilidades para nos desempenhar com recursos e ferramentas lusófonas. Porém, uma vista de olhos aos principais centros de pesquisa das instituições públicas e privadas galegas evidenciam a mesma absoluta carência de recursos lusófonos que qualquer outra instituição espanhola, e uma idêntica estruturação hierárquica dos conteúdos e categorias de pesquisa que se impõe, alheia a esta nossa vantagem lusófona, sobre a qualidade dos recursos e ferramentas disponibilizadas.

A Academia Galega da Língua Portuguesa, consciente desta necessidade social e dentro dos seus princípios fundacionais, apresentou no II Seminário de Lexicologia realizado o sábado 25 de setembro em Compostela, desenhados com o programa de software livre Netvibes, três escritórios virtuais para uso da comunidade internauta:

O escritório institucional da AGLP é uma página Netvibes com a informação oficial da Academia antes publicada nesta página web: Objetivos da Academia, Membros, Parcerias, Publicações, informações sobre o Acordo Ortográfico e a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, notícias e outras informações como a consulta do Léxico da Galiza.

O Portulano de Recursos em linha é hoje o maior arquivo de arquivos digitais em língua portuguesa, a conter mais de 3.000 ligações a páginas de recursos e informações de consulta livre sobre temas relacionados com as culturas lusófonas. Em menor medida, o Portulano de Recursos contém ligações a repositórios e ferramentas em língua inglesa, francesa e castelhana. Ótimo para uso de investigadores e curiosos, o Portulano de Recursos constitui a primeira ferramenta de pesquisa comum a todos os países lusófonos. Abrange, por isso, os repositórios e bibliotecas das principais universidades lusófonas, incluídas as galegas, tornando-se assim um grande instrumento a disposição da comunidade investigadora.

O Survival Kit, ou guia básico de recursos sobre língua portuguesa, é um escritório de recursos indispensáveis para o aperfeiçoamento da língua portuguesa. Desenhado especialmente para neo-escreventes galegas e galegos, o Survival Kit consta de duas abas ou separadores principais em que se acham os recursos sobre língua tais como dicionários, tradutores, conjugadores verbais, dicas de fraseologia, prontuários e pesquisas em rede, e alguns dos mais conhecidos centros sociais da Internet reintegrante galega, para além de algumas ligações escolhidas sobre literatura, história e música em língua portuguesa.

Os três escritórios estão ligados entre si e podem ser consultados desde qualquer um dos outros dous. No Survival Kit, ou maletim de sobrevivência, a dica diária Portulano do Dia oferece uma sugestão dentre as ligações contidas no Portulano de Recursos.

Para mudar os costumes podemos começar por colocar como página de início qualquer um dos três escritórios, pois os tempos dos galegos aproveitarmos as nossas vantagens práticas como lusófonos são chegados.

Portulano de Recursos AGLP

Survival Kit AGLP

terça-feira, 05 outubro 2010 18:39

AGLP assina três novos protocolos

ISCTE

A Academia Galega da Língua Portuguesa vem de assinar
mais três protocolos de colaboração com entidades lusófonas

 O presidente da Academia Galega, José-Martinho Montero Santalha, tem anunciado publicamente a assinatura dos protocolos com a Academia das Ciências de Lisboa e o Instituto Universitário de Lisboa durante a jornada do II Seminário de Lexicologia realizado em Santiago de Compostela o passado sábado 25 de setembro.

E mais recentemente tem-se formalizado o protocolo com a Sociedade de Língua Portuguesa, instituição fundada em 1949 e vocacionada para a investigação, difusão e defesa da Língua Portuguesa, que atualmente mantém o serviço digital Ciberdúvidas de grande sucesso na Internet.

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