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Info Atualidade (358)

Fundação Dr. António Agostinho Neto

A AGLP assinou um Protocolo de Colaboração e Apoio Recíproco com a Fundação Dr. António Agostinho Neto.

O Acordo, no âmbito da investigação científica, a cultura e a divulgação da língua portuguesa, foi firmado pelo presidente da Academia Galega, Prof. Doutor José-Martinho Montero Santalha e a presidente da instituição angolana, S.E. D. Maria Eugénia da Silva Neto, viúva do Doutor Agostinho Neto.

Angola acolhe a VIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP em 23 de julho em Luanda. A XV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros vai acontecer em 22 de julho, sendo precedida pela 135º sessão do Comité de Concertação Permanente, no dia 21, e pela XXI Reunião dos Pontos Focais, a 17 e 18 de julho.

quarta-feira, 07 julho 2010 02:00

Pleno da AGLP aprova nova comissão

Pleno AGLP

O Pleno da AGLP, reunido em Santiago de Compostela no passado dia 26 de junho, decidiu a criação da figura dos Institutos Associados e da Comissão de Relações Internacionais.

Os académicos, que organizaram as atividades do segundo semestre de 2010, aprovaram a publicação dos próximos volumes da Coleção "Clássicos da Galiza", cujo segundo número será Queixumes dos Pinheiros de Eduardo Pondal. Aprovaram também a associação do Instituto Galego de Estudos de Segurança Internacional e da Paz, IGESIP, que irá colaborar com a Academia nos âmbitos de interesse comum.

A Comissão de Relações Internacionais, integrada por 5 académicos, estará coordenada por Joám Evans Pim, que até ao mês de abril exercia a função de Delegado no Brasil.

Outras questões tratadas foram os trabalhos da Comissão de Lexicologia cujo léxico, com definições, será integrado em vários dicionários da língua portuguesa.

quinta-feira, 24 junho 2010 03:51

A AGLP assina novos protocolos

ProtocolosO Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL) com sede em Florianópolis, Santa Catarina, a Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN) com sede em Curitiba, Paraná e o Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA), sediado no Funchal, Madeira, são as instituições que mais recentemente têm assinado Protocolos de Colaboração e Apoio Recíproco com a Academia Galega da Língua Portuguesa.

O IPOL é organismo assessor do Governo Federal do Brasil, com grande experiência na gestão e assessoramento em línguas e um amplo catálogo de publicações. O seu presidente, Gilvan Müller de Oliveira, participou em 7 de abril de 2008 na Conferência Internacional sobre o Acordo Ortográfico, na Assembleia da República de Portugal.

O protocolo assinado com a ABRALIN entre o presidente da AGLP, José-Martinho Montero Santalha e a presidenta da ABRALIN, Maria José Foltran, inclui a colaboração na publicação de artigos, para além do intercâmbio de publicações, segundo o qual a Academia já recebeu o volume 7 da revista ABRALIN, , núm. 1 (Jan./Jun. de 2008) e núm. 2 (Jul./Dez. De 2008).

O CEHA foi criado em 1985 pelo Governo Regional da Madeira para promover a  investigação histórica sobre as ilhas atlânticas. O protocolo de colaboração assinado com a AGLP em 2010 liga por primeira vez uma instituição galega e uma madeirense, iniciando assim os primeiros passos para uma colaboração mais estreita e um mútuo conhecimento entre ambas regiões atlânticas.

AGLP

Cantares Galegos e Ayes de mi País a partir de 18h na livraria Couceiro de Compostela

O próximo 26 de junho, de manhã, terá lugar em Compostela uma reunião do Pleno da Academia Galega da Língua Portuguesa. A assembleia será aberta pelo seu presidente, Prof. José-Martinho Montero Santalha e contará com a participação da maior parte dos académicos e académicas. No fim da reunião realizar-se-á um jantar num local da cidade.

Já de tarde está preparada apresentação de duas recentes publicações em colaboração com a Academia:

  • O poemário Cantares Galegos, em edição de Higino Martins, que representa o primeiro número da coleção Clássicos da Galiza, resultado de um acordo de publicação da AGLP com as Edições da Galiza.
  • O Cancioneiro de Marcial Valladares, intitulado Ayes de mi País, em edição de José Luís do Pico e Isabel Rei Sanmartim, publicado pela editora Dos Acordes com a colaboração da Central Folque e a AGLP.

A reunião terá lugar às 11 horas no Salão de Plenos do Centro Galego de Arte Contemporânea.

As apresentações decorrerão a partir das 18 horas na livraria Couceiro de Compostela e incluirão um recital de poesia e música.

quarta-feira, 23 junho 2010 02:54

José Saramago (1922-2010)

José Saramago

Academia Galega expressa condolências pela morte de José Saramago

A Academia Galega da Língua Portuguesa quer expressar as suas condolências pela morte, o passado dia 18 de junho, do escritor e intelectual português José Saramago, segundo prémio Nobel da Lusofonia e autor, entre outros, dos formosos romances O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) e O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991). 

Não me Peçam Razões - José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

Não me peçam razões, que não as tenho,

Ou darei quantas queiram: bem sabemos

Que razões são palavras, todas nascem

Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda

A força de maré que me enche o peito,

Este estar mal no mundo e nesta lei:

Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,

Deste modo de amar e destruir:

Quando a noite é de mais é que amanhece

A cor de primavera que há-de vir.

domingo, 23 maio 2010 02:00

Protocolo assinado com o IFLB

A AGLP e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira assinaram um Protocolo de Colaboração e Apoio Mútuo

O Acordo, rubricado pelo Presidente e o Secretário da Direção do IFLB, José Esteves Pereira e António Braz Teixeira, tem, entre os seus objetivos "A programação de estudos, investigações, atividades de formação e divulgação, especialmente no que se refere à língua portuguesa e à lusofonia".

O IFLB, criado em Lisboa em 1992, é uma das mais prestigiadas instituições filosóficas do mundo de língua portuguesa e tem promovido, ano após ano, a realização de cursos e de colóquios, bem como a publicação de obras de filosofia lusófona.

carvalhocalero2010.net

Biblioteca Ângelo Casal será o lugar de apresentação

Promovida por diversas entidades culturais como a Associaçom Galega da Língua, a Mesa pola Normalización Linguística, Fundaçom Artábria, Associação Cultural Pró AGLP, Local Social Aturuxo e Centro Social Gomes Gaioso e o Instituto Cultural Brasil-Galiza, o ato de lançamento terá lugar o sábado 15 de maio às 13 horas, na Avenida João XXIII de Compostela.

A página integra a mais completa biografia e bibiografia de Carvalho Calero, assim como citas do autor, mediateca e informação sobre as atividades que as entidades promotoras realizam durante o ano 2010 sobre a obra do primeiro catedrático de língua galega da nossa história.

O lançamento correrá a cargo do presidente da AGAL Valentim Rodrigues Fagim, e da presidenta do Instituto Cultural Brasil-Galiza, Concha Rousia, que farão um percorrido pela obra de Carvalho Calero e falarão da sua importância na história da cultura galega.

ABL e RGPL

Por Concha Rousia

A verdadeira viagem não acaba nunca, e muito menos acaba quando o corpo regressa ao lugar de partida. O meu corpo chegou no dia 12 de Abril, e desde esse dia até o 22 esteve a gravitar por algum lugar afastado de minha consciência. Hoje, dia 22, acordei e vi que tudo estava no seu lugar. Beijei minha filha, ouvi cantar o galo da Amaia, e abri as Memórias Inventadas de Manoel de Barros. Bendigo hoje esse nome, ‘Manoel’, com ‘o’, que normaliza os meus amigos da infância e naturaliza as minhas falas.

Os passos foram: Santiago, Vigo, Porto, Lisboa, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, e ainda depois Santa Catarina. Até chegar ao Rio irei por atalhos, pois esta parte da viagem já foi magnificamente contada por Isabel Rei. Chegamos a Brasília como parte da Comitiva Oficial dos Colóquios da Lusofonia, com a chegada do sol. O primeiro café e a cor do ouro nas notas de vinte reais fizeram acordar em mim as mitologias herdadas dos tempos dos avós. A humanidade nos rostos e a grandeza na paisagem marcaram a chegada a um mundo imenso... com a emoção de finalmente me sentir nos braços do Brasil... onde a erva retém a cor da minha infância, e a minha infância vem assim se reencontrar comigo. Percebo que há muito de mim que vai ficar aqui.

Sinto-me em casa, agora que aqueles espanhóis do avião pararam de gritar, noto como este mundo me completa. As árvores piscam suas pétalas para mim. Estou contente, embora carrego uma mágoa... a Galiza vai velhinha, e sem dúvida, vai doente, pergunto-me se nos dará tempo a que o Brasil nos reconheça... ele é tão grande que eu não sei se notará a nossa presença...

De Brasília o atalho, que não era tal, passa por São Paulo. No aeroporto vi duas mulheres que tinha conhecido no passado, só que não saberia dizer se eram índias ou se eram emigrantes das beiras do Minho que seguiam a levar vestimentas antigas e pretas como as minhas... Compreendi que estava no mundo mais amplo e mais profundo dos que já tinha visto... um mundo que reborda vida e energia, onde as emoções e as flores se misturam nos olhos que aprendem a medir hoje distâncias infinitas... um mundo que semelha não caber em si mesmo e porém pode, ao mesmo tempo, acolher os outros todos... Uma paradinha na Estação da Luz permitiu-nos ver o museu da nossa língua... polo caminho uma pessoa à nossa frente perfumava o ar com sons brasileiros da nossa fala... A visita ao museu foi breve, intensa, saí convencida de ter visitado o templo da minha única religião... onde a luz se fez poesia.

ABL e RGPL

Na volta ao aeroporto, com um taxista nordestino que merece menção por nos ter oferecido um curso acelerado de brasileirismo, atravessamos o rio Tietê, que avança para seu destino distanciando-se do mar, a caminho de Minas Gerais, achei que nesse rio havia uma mensagem para esta viagem, mas guardei-a sem abrir... Essa mesma noite deixamos São Paulo para ir dormir a Copacabana. Chegamos tarde, apenas com tempo para comprovar que nas malas continuavam os papéis com o discurso do dia seguinte na Academia Brasileira de Letras. No dia 29 o Professor Malaca Casteleiro, Chrys Chrystello e eu, almoçamos na Academia com Marcos Vilaça, o seu Presidente, o Professor Evanildo Bechara e outros académicos.

As instalações desta centenária instituição combinam, harmoniosamente, funcionalidade e classicismo. Tudo em sintonia com o que representa o Brasil. O almoço transcorreu num ambiente de elegância, sem excesso de formalismo, o que fez sentirmo-nos em casa. Antes da comida vieram as palavras de Marcos Vilaça, a nos dar as boas vindas e nos fazer entrega da medalha da nobre Academia, na que figura em relevo Machado de Assis. As conversas entre os ires e vires ao bufete, até chegarmos ao bolo pernambucano, obra de arte em forma de sobremesa, facilitaram o contato entre todos os assistentes.

Às duas fomos para a sala de conferências onde os assistentes estavam a chegar. Começamos pontualmente, abrindo com as palavras do Presidente, e as do Professor Bechara, coordenador da jornada. Eu fui a primeira no uso da palavra. Foi emocionante, era a minha voz a falar, e era eu, mas não era eu, éramos todos e todas os que nos sentimos sempre ‘nós’ dentro da palavra ‘eu’... mesmo o público era comigo. Lá entre os assistentes, para além da companheira Isabel Rei, os colegas dos Colóquios da Lusofonia, e os académicos da ABL, reconheci três rostos amigos que quero mencionar, pois foi para mim uma alegria imensa os reconhecer entre os das primeiras filas; eles são: Evandro Ouriques, Fabiano Oliveira, e Marcos Crespo, velhos amigos, nossos e da Galiza, agora também irmãos e camaradas...

ABL e RGPL

A seguir falou o carismático presidente dos Colóquios da Lusofonia, o Professor Chrys Chrystello, que sempre me surpreende com seus discursos exatos e capazes de ir além. Finalmente falou Malaca Casteleiro, o mestre do Acordo Ortográfico, ao que sempre me esqueço de agradecer estas suas magistrais aulas. Bechara fechou aquela magnífica jornada na que todo o mundo parecia se sentiu à vontade, e com vontade de que a tarde não passasse... Mesmo que da Academia ainda devíamos ir ao Real Gabinete Português de Leitura, onde nos aguardava António Gomes da Costa para assinar um protocolo de colaboração entre a Instituição que ele preside e a Academia Galega da Língua Portuguesa; ao tempo que os Colóquios da Lusofonia firmaram também um com o Liceu Literário Português do Rio de Janeiro.

A música da Isabel e a poesia (Rosália, Celso Emílio, Guerra da Cal, Avilés de Taramancos...) que eu li, encerraram o dia no Rio de Janeiro, um dia que nunca terá final, e ao que sempre sonharei voltar para poder tomar um café no Villarino, lá onde Vinícius de Moraes e Tom Jobim selaram a sua parceria; lugar onde se ouviu pola primeira vez o termo Bossa Nova que ninguém sabia ao certo o que significava, mas, acabou dando nome ao novo estilo musical que revolucionou e marcou uma era no Brasil e no mundo.

Áudio da sessão na Academia Brasileira de Letras

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ImageIsabel Rei (*)

Era meio-dia e chegadas de Compostela duas mulheres arrastavam pelas viguesas ruas uma pesada caixa cheia de livros. As malas que também levavam incomodavam um pouco ao subir e descer dos meios de transporte. Mas eram duas e estavam decididas. Como todo o mundo sabe, duas mulheres decididas podem conseguir qualquer cousa, ainda que o seu propósito naquele momento era tão só chegar ao Sá Carneiro do Porto para apanhar um voo a Lisboa. 

No aeroporto juntava-se uma parte da comitiva que voava para a capital portuguesa a se reunir com os outros acompanhantes, os quais, provenientes de diversos lugares do mapa oficial português, completariam o grupo e juntos embarcariam no aéreo que os transportaria, atravessando quase dez atlânticas horas de oceano, até Brasília, capital da República Federativa do Brasil.

Alvorada do Brasil (Guarulhos)

Alvorada do Brasil (Guarulhos)

As galegas Concha e Isabel pisavam terra brasileira de manhã, muito cedo, no aeroporto de Guarulhos junto dos açorianos e os outros galegos do Sul que conformavam a Comitiva Oficial dos Colóquios da Lusofonia. Convidadas pelo governo brasileiro preparavam-se para participar na Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, organizada pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa, a se celebrar no palácio Itamaraty entre o 25 e o 27 de março.

Nada mais chegar ao hotel a sequência foi tomar banho, vestir-se e sair correndo para o Itamaraty, onde essa mesma manhã teria lugar a Recepção Oficial e a sessão inaugural do evento com a participação dos elementos diplomáticos de vários países lusófonos.

Conferência no Auditório do Itamaraty

Conferência no Auditório do Itamaraty

Depois do almoço iniciaram-se as palestras. E foi durante o espaço destinado às perguntas que começou o movimento das galegas: Distribuídas segundo a disposição do programa, o qual indicava duas salas de conferências simultâneas, intervieram em seis ocasiões, apresentando a Academia Galega da Língua Portuguesa e denunciando a situação linguística da Galiza.

A recepção das suas intervenções foi excelente, tornou-se comum a todas elas uma forte salva de palmas no fim da alocução e, a seguir, conversa e troca de contatos com as pessoas, numerosas, que ficavam interessadas.

Intervenção de Concha Rousia, sala San Tiago Dantas

Intervenção de Concha Rousia, sala San Tiago Dantas

A atividade despregada deu assim produtos extraordinários, sobretudo se temos em conta que o trabalho era feito desde a total falta de apoio governamental galego ou espanhol, de maneira voluntária e sem mais recompensa que a da presença galega nesses foros onde se debateu, ao mais alto nível, o futuro mundial da Língua Portuguesa. Essa presença significou a continuação da mantida no passado em duas ocasiões (Rio de Janeiro, 1986 e Lisboa, 1990) pela Delegação de Observadores da Galiza, reiteradamente ignorada, desprezada e silenciada na nossa terra, mas da que tinham conhecimento e lembrança os diplomatas lusófonos.

Brasília

Brasília

As idas e vindas do hotel ao Itamaraty davam para tirar alguma foto e repor forças no shopping ao lado. Brasília é uma capital jovem que cumpre cinquenta anos em abril de 2010 e foi construída organizadamente: os residenciais numa zona, os edifícios administrativos noutra, os hotéis noutra diferente. As diferentes zonas estão comunicadas por o que para os galegos seriam grandes autoestradas de várias faixas de circulação e para os brasileiros são estradas normais, necessárias para sustentar o volume de viaturas que diariamente cruzam a cidade. A aparência dos arranha-céus ao longe tocados de brancas nuvens demorando-se maininho no céu brilhante tem a ver com o grande espaço que a cidade contém, as ruas amplas, a atividade nos centros comerciais e a vida ultramoderna que, em geral, vivem os seus habitantes.

Depois da adrenalina empregada nos dous dias de congresso, e felizes com os resultados, lá foram as galegas e toda a Comitiva dos Colóquios para Guarulhos novamente, pegar um voo a São Paulo de manhã e assim poder cumprir com a visita guiada ao Museu da Língua Portuguesa.

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No trajeto do aeroporto paulistano ao Museu, sito na céntrica Estação da Luz, tiveram a sorte de ser conduzidas por um espectacular taxista nordestino que explicou extenso e irónico as vicissitudes da política brasileira, entanto eram acompanhadas pelo longo rio Tietê que junto delas ouvia o relato sem desviar-se do percurso, diz que em direção contrária ao mar...

O formoso Museu da nossa língua ocupava uma parte do antigo edifício da estação de trem e oferecia projeções de vídeo, painéis explicativos da história das línguas, jogos interativos, exposição de erros comuns entre os falantes de língua portuguesa, e havia muita música e poesia. Uma projeção audiovisual mostrava um planetário em que os poemas apareciam e se entrelaçavam em cúmulos, nebulosas e constelações de estrelas. O Museu mostrava o universo da língua a se abrir aos presentes, onde ainda chegava a luz da remota Martim Codax, gigante vermelha dos céus da arte antiga, molhando o coração brasileiro com as águas do mar de Vigo.

Mas fora isso, observaram as galegas pouca Galiza. Não lhes chegou a que havia. O Museu tinha Galiza medieval, mas não havia nada de como os galegos foram submetendo a sua cultura aos ditados alheios, nem havia notícias do hoje, dia em que a Galiza observa altos cargos e professores universitários a debaterem se o Galego deve morrer cozido ou assado.

Painel no Museu da Língua Portuguesa

Painel no Museu da Língua Portuguesa

Pois, entanto cozidos ou assados, duas mulheres puseram os pés em Brasília, capital do Brasil, potência emergente, titã da poderosa língua dos galegos, cheia de variados acentos e sotaques, o netinho galego mais querido. Lá falaram as galegas com bom senso e correção idiomática, e foram ouvidas por embaixadores, ministros e outros diplomatas. Partilharam almoços e conversas com todo tipo de pessoas que as abraçaram e trataram como iguais por fazer o que é natural nos galegos: cultivar e defender a nossa língua que ali chamam, sem nenhum preconceito, de língua portuguesa ainda que o número de cidadãos portugueses seja ridículo em comparação com o total de falantes da língua, que vai dos descendentes de todos os cantos da Europa até aos índios guaranis passando pela população de ascendência africana. Todos falando galego, com acento, isso sim.

O mundo está mudando para os galegos a velocidade vertiginosa. Talvez no Museu da Língua Portuguesa admitiriam alguma colaboração para completar as suas informações sobre a Galiza. Se for esse o caso: Que Galiza deverão mostrar os galegos em São Paulo? Aquela tolheita e isolada pela sinistra Espanha antigalega, aquela que não aprende língua portuguesa e por isso não pode dialogar fluentemente com o Brasil? Ou aquela Galiza desperta, desinibida, segura de si, que usa a via da comunicação sem interferências nem complexos, que pega o caminho da modernidade pela autoestrada da Língua Comum?

Exposição no Itamaraty

Exposição no Itamaraty

Crónica fotográfica no Picasa

(*) Académica, membro da Comissão Executiva da AGLP.

FestlatinoA académica Concha Rousia e o académico Ângelo Cristóvão assistem ao Seminário Preparatório do IV FestLatino «A Língua Portuguesa no Século XXI: Desafios e oportunidades» esta terça-feira, 27 de abril, em Lisboa.

Esse festival atua no sentido de ampliar os vínculos entre os países europeus de línguas neolatinas, os países ibéricos, a América Latina os Estados membros do Mercosul e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Ao abrigo do patrocínio da CPLP, do ISCTE, do Instituto Camões, da Associação Mares Navegados e do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, este seminário contará com conferências e palestras de diversos representantes de instituições culturais, políticas e universitárias.

A intervenção «O papel da Academia Galega da Língua Portuguesa» do Prof. Ângelo Cristóvão terá lugar na mesa redonda presidida pelo embaixador de Portugal na CPLP, António Russo Dias com o título «O papel de Portugal e dos demais países membros da CPLP no esforço para ampliar a projeção internacional da Língua Portuguesa» com a palestrante Joana Cardoso, Diretora do GPEARI, do Ministério da Cultura de Portugal, entre outros convidados.

Já de tarde, o secretário do Consello da Cultura Galega, Henrique Monteagudo, participará junto com o Prof. João Malaca Casteleiro, da Academia das Ciências de Lisboa, e Rui Rasquilho, do Instituto Histórico-Geográfico do Distrito Federal de Brasília, numa palestra intitulada «A Galiza e o espaço linguístico-cultural de expressão portuguesa».

Mais informação:

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