Categoria: Info Atualidade Acessos: 997

José Ramom Pichel Campos

O Portal Galego da Língua reproduz um interessante artigo assinado pelo empresário José Ramom Pichel Campos e publicado há uns dias no jornal Galicia Hoxe. O artigo, sob o título "Flipando" ("Alucinando"), parabeniza o trabalho da Academia Galega bem como a sua estratégia a respeito da língua.

É bem sabido que desde os anos 80 a estratégia maioritária dentro dos defensores da nossa língua é que o galego é uma língua independente do português de Portugal e também do português do Brasil. Embora inicialmente a força dos que defendiam que o galego é uma variante genuína e a matriz do resto de variantes portuguesa e brasileira, era bastante importante, essa força foi diminuindo embora esteja agora a viver um segundo renascimento. Mas eu venho falar de tecnologia.

É Agosto, fai calor e duas notícias estão a passar desapercebidas em muitos jornais em papel e também nos meios audiovisuais. A Academia Galega da Língua Portuguesa, uma associação da sociedade civil integramente formada por galegos e galegas que promovem essa estratégia luso-brasileira para o falado na Galiza conseguiu incluir 1.200 palavras galegas nos dicionários das Academias Portuguesa e Brasileira, e também no corretor ortográfico da maior empresa de tecnologia linguística de Portugal chamada Priberam.

Vou repetir doutro jeito para explicar-me melhor. Imaginemos que existe uma Academia da Língua na Galiza que fai que em Itália ou na França incluam 1.200 palavras galegas nos seus dicionários e que digam que a partir dai esses termos pertencem ao italiano ou ao francês. O que significaria em termos práticos? Em primeiro lugar, Itália e França estaria dizendo que o galego é uma forma válida do italiano ou do francês. Em segundo lugar, significaria que quando uma pessoa quer aprender italiano ou francês vai aprender que palavras como: angueira, arela, argalhar, balor, balorento, cachelo, croio, cóxegas, esmendrelhar, espido, fervença, langrao, malpocado, teito, xurdir, xenreira, zaragalhada, hô!, etc. também são italiano ou francês.

Pois bem, a AGLP acaba de conseguir que essas palavras se incluam nos dicionários de Portugal e do Brasil, o que significa de fato que Portugal e Brasil reconhecem que o galego é uma forma tão genuína e tão válida do idioma conhecido internacionalmente como português, como as variantes portuguesa e brasileira. A Priberam portuguesa acaba de incluir no melhor corretor ortográfico de Portugal e do Brasil chamado FLIP todos estes termos galegos como válidos para usar em qualquer texto que se gere na Lusofonia. A AGLP com menos de três anos de existência acaba de colocar o galego no grande mundo de possibilidades que nos espera, agora que a economia espanhola aponta claramente pola internacionalização e polo Brasil para sair desta crise. Flipante.

 Fonte original: