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De conformidade com o Regulamento dos Observadores Consultivos, a candidatura da Academia Galega tinha de ser defendida por um dos países integrantes da CPLP. A iniciativa da sua apresentação e patrocínio correspondeu ao Governo da República de Angola, país que vem exercendo a presidência deste organismo internacional.

A Academia Galega recebeu o apoio unânime dos 8 estados integrados na CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Lorosae, vendo compensados os esforços dedicados ao efeito pela Comissão Executiva, com o consenso e contributo de todos os académicos e a colaboração da Associação Cultural Pró AGLP.

A decisão ora adotada é duplamente significativa, por ser a primeira entidade observadora de um país não integrado na sua estrutura, e por tratar-se de uma academia da língua, reconhecendo de facto a Galiza como território de língua portuguesa. Este apoio internacional reforça o protagonismo do processo de reintegração linguística galega, que nas últimas décadas vem recebendo um crescente apoio social, podendo converter-se num instrumento importante no processo de recuperação da língua da Galiza, que vem sendo defendida pela sociedade civil articulada num amplo e variado leque de associações e instituições culturais e educativas.

A AGLP recebeu previamente, durante a V Reunião dos Observadores Consultivos da CPLP, celebrada no mês de junho, o apoio de outras entidades que já possuem o estatuto de observador consultivo, incluindo instituições com as quais a Academia mantém acordos de colaboração, como a Fundação Dr. António Agostinho Neto (Angola) ou a Sociedade de Geografia de Lisboa (Portugal).

O presidente da Academia, professor catedrático José-Martinho Montero Santalha, salientou a importância deste reconhecimento, que faz extensivo a todos os cidadãos galegos, instituições e entidades culturais que partilham a ideia de unidade da língua, concebendo o galego como variedade nacional da língua portuguesa, e manifestou o seu profundo agradecimento ao governo da República de Angola, bem como à Fundação Doutor Agostinho Neto, pelo seu inestimável apoio.

A Academia Galega foi criada em 20 de setembro de 2008 em Santiago de Compostela, Galiza. Realizou a sua sessão inaugural em 6 de outubro do mesmo ano, com a presença de representantes da Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras, Governo Autónomo da Galiza e diversas personalidades lusófonas. Formada por 30 académicos numerários, mantém atualmente um relacionamento estável com mais de 20 instituições de Angola, Brasil e Portugal. Neste breve espaço de tempo integrou o Léxico da Galiza no Vocabulário Ortográfico da Porto Editora e no Vocabulário Priberam. Publicou 4 números do seu Boletim, iniciou a edição da Coleção Clássicos da Galiza, realizou os Seminários de Lexicologia de 2009 e 2010 (registados integralmente em DVD, disponíveis) e participou em inúmeros eventos internacionais, entre os quais o Encontro Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Contexto Mundial, por convite do governo brasileiro, em março de 2010.

Em janeiro de 2011 a Associação Cultural Pró AGLP promoveu a constituição da Fundação AGLP, criada em cartório notarial com data de 20 de janeiro e registada no Ministério da Cultura da Espanha em 1 de março, sendo esta entidade em que reside a Academia, e que recebeu a distinção da CPLP.

A Comissão Executiva da Fundação manterá uma reunião informativa aberta ao público sobre o seu futuro papel institucional na CPLP e o programa de atividades para o ano 2011. Terá lugar o próximo dia 28 de julho, pelas 12 horas, na Galeria Sargadelos de Santiago de Compostela, no endereço da Rua Nova, núm. 16.

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